Transporte é apontado como pior entrave
Londrina A auxiliar de consultório médico Odalfe Gomes da Costa, de 55 anos, mora no Jardim Santo Amaro, em Cambé. Ela acorda todos os dias as 6 horas para conseguir chegar ao serviço, no centro de Londrina, às 8h40. Além da linha metropolitana, ela tem de tomar outro ônibus no Terminal Central de Londrina. Às 17 horas ela termina o turno, mas só chega em casa quase duas horas depois. O tempo gasto com o deslocamento se agrava com as condições do transporte público, sempre lotado nas horas de pico.
Odalfe disse que tem vontade de voltar a morar em Londrina, mas o alto preço dos imóveis na cidade é o principal entrave. Segundo o professor do departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina, Fábio Cunha, o custo de vida é um fator determinante para que as pessoas optem pelo deslocamento. "O preço do solo, às vezes até por questões especulativas, é muito mais alto nas principais cidades. Isso cria condições para que haja um maior fluxo entre as cidades", explicou.
A operadora de caixa Mariana Toledo, de 26 anos, mora em Ibiporã e não reclama da situação. Para ela, o único revés é o ônibus lotado. "Não considero a distância tão longa, então não vejo problema de ir e voltar todos os dias. Só acho que deveria ter mais ônibus nos horários de pico", reivindicou. Em Maringá, os usuários do transporte público metropolitano enfrentam grandes filas e ônibus lotados. As reivindicações são as mesmas.
O coordenador da Região Metropolitana de Maringá, João Carvalho Pinto, admitiu que o grande trânsito de pessoas ainda causa alguns inconvenientes que, segundo ele, só devem ser aplacados com a instalação do Trem Pé-Vermelho, antiga reivindicação para consolidar a integração regional. "Com o trem teremos condições ideais para que as pessoas possam se locomover pela região com mais eficiência e sem causar transtornos. Maringá já se antecipou e fez todo o rebaixamento da linha férrea a espera do início das obras", comentou.
Com o projeto do trem parado há anos, o Ministério das Cidades propôs o desmembramento da obra, para a construção inicial da linha pelos dois extremos: Paiçandu, Maringá e Sarandi; e Ibiporã, Londrina e Cambé. O projeto foi aprovado, mas segue sem uma previsão para o início das obras. (C.F.)





