Transporte de madeira pode afetar Abrolhos
A Aracruz, uma das maiores empresas de celulose do Brasil, quer mudar o meio de transporte do eucalipto plantado no sul da Bahia e enviado para a fábrica no Espírito Santo. O projeto prevê a substituição dos cerca de 100 caminhões que atualmente trafegam diariamente pela BR-101 por duas barcaças, que farão o trajeto pelo mar. O problema é que o local escolhido para a construção do porto, no município de Caravelas, faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da Ponta da Baleia-Abrolhos e está apenas a 60 quilômetros do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, um dos principais santuários ecológicos do País. Lá estão a maior área de recifes de corais e o principal ponto de reprodução das baleias jubartes no Atlântico Sul.
A empresa entregou, em novembro, o estudo e o relatório de impactos ambientais (EIA-Rima), que estão sendo analisados no Centro de Recursos Ambientais da Bahia. Se aprovado pelo órgão ambiental, o projeto ainda deverá passar por uma audiência pública e ter o aval do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Cepram).
Segundo o biólogo Guilherme Dutra, coordenador do Projeto Abrolhos da Conservation International (CI), a empresa tem conversado com os ambientalistas e apresentou propostas para minimizar impactos na área de mangue, onde será construída uma ponte, e em relação às baleias, mas o destino do material da dragagem ainda é um impasse.
Para os ambientalistas, a dragagem e a deposição do material no mar são uma ameaça a todo o ecossistema marinho. Estamos propondo que o material de dragagem seja jogado fora da água, o que não resolve totalmente o problema, mas reduz os impactos, diz Dutra. (Agência Estado)





