Curitiba – Motoristas e cobradores de Curitiba e região interromperam suas atividades ontem, devido ao atraso no pagamento dos funcionários, que deveria ter ocorrido na última quinta-feira. A volta ao trabalho, de forma parcial, só foi acordada após uma audiência pública no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), realizada no período da tarde. Segundo balanço da Urbs, órgão da prefeitura responsável pelo sistema de transporte, das 11 empresas, apenas três operavam com 100% da frota às 17 horas: Mercês, Expresso Azul e Santo Antônio. Já a Almirante Tamandaré manteve 17% e a Marechal, 16%. As demais não tinham nenhum carro circulando. Em média, 16,6% das 395 linhas funcionaram normalmente, o que gerou transtorno em vários pontos da capital.
A administração municipal alegou que os 7,5 mil profissionais descumpriram determinação judicial, prevendo 50% dos veículos das 5h30 às 9h30 e das 16h45 às 19h30, além de 30% no restante. Por isso, protocolou uma petição na Justiça do Trabalho, pedindo a majoração da multa, estipulada em R$ 60 por trabalhador/dia para o Sindimoc, sindicato que representa a categoria. A gestão Gustavo Fruet (PDT) solicitou, ainda, que as empresas arquem com o mesmo valor por não fazer o depósito dos vencimentos no prazo.
Na audiência, ficou acertado que a Urbs fará um depósito emergencial de R$ 3,5 milhões hoje, para que as companhias paguem o que devem aos trabalhadores até amanhã. O Sindimoc deve cumprir com os percentuais mínimos de circulação. Por outro lado, a possível liberação da multa e os pedidos de não desconto de salários dos trabalhadores serão avaliados em nova reunião, às 14h30 do dia 19 de janeiro. O indicativo de paralisação foi aprovado em dezembro de 2015. Apesar de a tarifa técnica ter sido reajustada para R$ 3,21 (e posteriormente para R$ 3,27), os atrasos continuaram frequentes.
Em nota, a Urbs disse estranhar o não pagamento e garantiu estar em dia com os repasses. A instituição acrescentou que na segunda-feira já tinha encaminhado R$ 1,4 milhão às companhias. O Setransp, por sua vez, sindicato dos patrões, alegou que as empresas estão buscando pagar integralmente seus colaboradores "o quanto antes". A entidade também refutou as insinuações de estar fazendo "jogo de pressão" para aumentar a tarifa técnica. "Há anos o sindicato vem alertando e entrando com medidas judiciais pedindo o equilíbrio econômico e financeiro dos contratos, pois o sistema, desse jeito, não se sustenta".

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