Brasília, 14 (AE) - O transporte de cargas radioativas como urânio, dório, lítio e césio 137, entre outros, deverá ser feito, futuramente, por meio de rotas previamente definidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e governos estaduais. Além disso, as autorizações para transporte dessas cargas será submetida a análise de técnicos do Ibama, com a anuência dos Estados por onde o material deve passar.
As medidas, que passam a vigorar no próximo mês, foram acertadas, hoje, em uma reunião realizada pelo Ibama com representantes de órgãos ambientais de São Paulo, Rio de Janeiro
Minas Gerais e Bahia. É nesses Estados onde mais ocorre o transporte, manuseio, beneficiamento e processamento de cargas nuclares. Também ficou acordado que os procedimentos para autorização do transporte das cargas radioativas no País serão unificados.
Depois de aprovado pelo Ibama o procedimento de transporte será enviado aos Estados. Segundo a presidente do órgão, Marília Marreco, as medidas vão dar mais segurança ao transporte de cargas nucleares. "A idéia é evitar problemas como os ocorridos em São Paulo no início do mês", comentou. No início de março, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo proibiu o desembarque de uma carga de 1.900 quilos de dióxido de urânio (U235) no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). O material é altamente radioativo e usado como combustível na usina nuclear Angra 1.
Para impedir o desembarque, a secretaria estadual alegou não dispor de informações detalhadas sobre as condições em que seria feito o transporte da carga nas rodovias estaduais paulistas. Outro argumento usado foi o de que o urânio passaria por toda área de mananciais de água da Serra da Cantareira. Segurança - De acordo com a diretora de Controle Ambiental do Ibama, Gisela Forattini, o procedimento padrão, além de acelerar o processo de licenciamento das cargas, também contribuirá para reforçar a segurança no transporte e manuseio de materiais radioativos. Ela garante que os novos procedimentos devem ser adotados a partir do mês de maio.
"O transporte desses materiais no Brasil é feito com o máximo de segurança", atesta Antônio Carlos Oliveira, da Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo. Segundo ele, os riscos de acidentes são mínimos. Francisco Sertã, da Secretaria de Meio Ambiente do Rio Janeiro, afirma que o transporte de cargas nuclares no País obedece a critérios estabelecidos por ogrnanismos internacionais. De acordo com ele, o material é acondicionado em contêiner reforçado e de forma a não causar vazamento de radioatividade em caso de acidentes. Sertã explicou ainda que os órgãos ambientais fiscalizam rigorosamente o transporte das cargas nuclares. Para ele, a decisão de unificar os procedimentos e definir rotas para o transporte foi acertada e vai tornar mais ágil do processo de licenciamento. Na definição das rotas, segundo ele, o Ibama e os governos de Estados vão escolher estradas em boas condições e de tráfego reduzido, além de evitar a passagem por grandes aglomerações, mananciais de água e parques e reservas florestais. A velocidade máxima de um carros que transportam materiais nuclares não pode ultrapassar 60 quilômetros por hora.
Angra dos Reis (RJ), Rio de Janeiro, Resende (RJ), Poços de Caldas (MG), Caetité (BA) e Abadia de Goiás (GO) são as cidades brasileiras onde ocorre a maior incidência de transporte
de processamento e beneficiamento de cargas radioativas. Em Caetité (BA), localizada a 500 quilômetros de Salvador, é feito o refinamento de urânio. O material é distribuído para outras regiões do País.

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