No Sul do Paraná, o primeiro dia da paralisação nacional de caminhoneiros não teve piquetes. Em vez de ficar parados em acostamentos ou postos de combustíveis, os transportadores preferiram ficar em casa. Não houve incidentes, pelo menos na Região Metropolitana de Curitiba. As polícias Rodoviária Federal e Estadual apenas acompanharam as manifestações no Posto 100, na BR-116, próximo ao Ceasa.
Ontem de manhã cerca de 60 caminhões estavam no local. À tarde, o número cresceu para 120 veículos, com 400 caminhoneiros a pé munidos de faixas. Segundo informações dos organizadores do movimento, o tráfego de veículos de carga foi reduzido em cerca de 90% na tarde de ontem.
Extra-oficialmente, policiais federais informaram que houve redução de 60% no número de caminhões em tráfego. A meta do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) no Paraná é evitar o tráfego de pelo menos 80% dos 280 mil caminhões do Estado. Em dias normais, no trecho da BR-116 no Paraná trafegam em média 9,2 mil veículos.
De acordo com André Felisberto, presidente do MUBC no Paraná, é imprevisível o que acontecerá nos próximos dias. ‘‘Vai ser gradativo e enquanto o governo não abrir as portas para negociar ficaremos parados’’, disse.
As reivindicações do movimento no Paraná são o fim da cobrança de pedágio dos caminhões até que a Medida Provisória do vale-pedágio seja regulamentada e a criação de uma tabela com valores mínimos para fretes por quilômetro rodado. A proposta é vincular o custo básico do frete por quilômetro a 14% do preço do litro do diesel. Os caminhoneiros também requerem maior segurança nas estradas do Estado.
O caminhoneiro Joarez Bender, 42 anos, de Palmas (95 km a leste de Pato Branco) parou no Posto 100, em Curitiba, no fim de semana. Ele está acompanhado da mulher e das duas filhas pequenas. ‘‘Vamos ficar aqui até a situação ser resolvida’’. Bander disse que para fazer uma viagem de Curitiba a Ponta Grossa e voltar, cerca de 220 quilômetros, são gastos R$ 60,00 de pedágio. ‘‘Para fazer esse mesmo trecho eu não gasto mais que R$ 40,00 de óleo diesel’’. (Colaborou Israel Reinstein)

mockup