Ribeirão Preto (SP), 16 (AE) - A Ferrovias Bandeirantes SA (Ferroban) - antiga Fepasa - vai reativar o ramal férreo que liga Sertãozinho, na região de Ribeirão Preto, à refinaria da Petrobrás em Paulínia, para transportar o álcool anidro e hidratado das usinas da região. Os testes, a limpeza e a manutenção já foram iniciados em Sertãozinho, mas ainda não existe uma data marcada para o início das operações. Com isso, os usineiros ganham uma rota de fuga dos pedágios nas rodovias paulistas, que aumentaram as praças após o plano de concessões do governo.
Segundo a assessoria de imprensa das usinas da região de Ribeirão Preto, 38 usinas e sete destilarias calculam gastar, juntas, cerca de R$ 18 milhões em pedágios no transporte de cana nesta safra. A cifra não inclui o transporte de álcool.
Esse grupo deverá moer cerca de 83 milhões de toneladas de cana - 12 milhões só em Sertãozinho, que tem seis usinas e produção de cerca de 500 milhões de litros de álcool.
A medida deu um novo ânimo ao Sindicato dos Trabalhadores das Empresas Ferroviárias da Zona Mogiana, que acredita no fim das demissões no setor. Desde o início deste ano
a Ferroban já demitiu 218 funcionários na região de Ribeirão Preto e a previsão era chegar a 400. "Já tivemos informações extra-oficiais de que o transporte de açúcar, desde Minas Gerais
será reativado", disse o diretor do sindicato, João Carlos Menezes.
Para Jorge Pinheiro Jobim, presidente da Vianorte, concessionária de pedágio na região de Sertãozinho, a reativação do ramal férreo afetará pouco a empresa. Ele não se surpreendeu com a notícia.
"Participei do processo de privatização da empresa e, como diretor dela, tinha como objetivo reativar os terminais líquidos e a granel nessa região. A medida está dentro dos planos de expansão da Ferroban", disse Jobim, consciente de que o preço do frete ferroviário é "imbatível".
Abatimento - A Vianorte negocia com os usineiros da região um abatimento no preço do pedágio. O acordo pode ser fechado desde que as usinas se disponham a uma "colaboração mútua" com a concessionária, o que significa limpar as estradas (pedaços de cana caem dos caminhões) e suas margens e melhorar a sinalização de acessos e saídas da pista.
"Mas ainda não chegamos a um acordo", disse Jobim. As usinas já usam o Smartcard, um cartão pré-pago, que registra data e horário dos caminhões que passam pelos pedágios.

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