Transporte coletivo enfrenta ameaça de greve
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segunda-feira, 10 de julho de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Dois fatos novos ocorridos no início da noite de ontem poderiam contribuir para a deflagração de greve geral de motoristas e cobradores do transporte coletivo de Londrina a partir de hoje. Primeiramente, o sindicato dos trabalhadores rejeitou nova proposta feita pelas empresas durante reunião na Delegacia Regional do Trabalho (DRT). Logo em seguida, em votação secreta, a categoria aprovou maciçamente a paralisação. Mas os ônibus ainda podem deixar as garagens hoje dependendo do resultado de um acordo na última rodada de negociação que seria tentada ontem à noite.
O advogado do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Municipal (Metrolon), Carlos Roberto Ribas Santiago, explicou que as empresas ofereceram, além do reajuste salarial de 4%, um Plano de Participação nos Resultados (PPR) variável de 25% a mais na folha de pagamento em cada semestre. As duas empresas que exploram o serviço de transporte coletivo, segundo o advogado, entendem que o anuênio pago mensalmente aos funcionários não existiria mais. A proposta, para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sintrol), João Batista, não poderia ser aceita porque seria justamente uma tentativa de acabar com o anuênio, ''um direito conquistado''.
Outro ponto de discordância entre patrões e empregados é a supressão da figura do cobrador a partir das 19 horas de segunda-feira a sábado, e durante todo o domingo, nas linhas consideradas deficitárias (aquelas que circulam com até 18 passageiros pagantes).
As empresas garantem que não haveriam demissões e que os cobradores atingidos teriam estabilidade pelo período de 24 meses. A medida atingiria cerca de 30% dos cerca de 800 cobradores que atuam em Londrina. Para o Sintrol, a proposta, ''mesmo sendo até melhor do que as anteriores, soou como ''uma tentativa de puxar o tapete dos trabalhadores no futuro''.
No início da noite, os 1211 trabalhadores que manifestaram secretamente suas opiniões confirmaram a proposta de paralisação a partir das 5 horas de hoje por 1095 votos contra 106. Um indicativo de greve geral já havia sido aprovado na última sexta-feira. Mesmo assim, Batista tentaria continuar as conversações com o advogado do Metrolon na noite de ontem. A decisão final seria tomada em assembléias nas portas das garagens das duas empresas na madrugada de hoje.
Logo após a contagem dos votos no Terminal Urbano, o presidente do Sintrol já falava como se a situação de greve fosse irreversível. ''Quem provocou essa greve foram as empresas. A iminência de reduzir os postos de cobradores foi o fator principal para que houvesse a rejeição das propostas'', comentou o representante dos trabalhadores. Caso a greve seja iniciada hoje cerca de 200 mil usuários do transporte coletivo sofrerão os reflexos da paralisação.


