São José dos Campos, SP - O presidente da Sociedade Brasileira de Transporte Aéreo, entidade criada há sete anos para debater as questões relacionadas à pesquisa e investimentos no transporte aéreo, Anderson Correia, disse ontem em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, que ainda é muito cedo para falar do que teria provocado o acidente, mas que culpar o mau tempo e a aderência da pista, ainda é muito leviano. ''Tudo o que se fala agora é especulação. O que não se pode admitir é que alguém culpe o mau tempo pelo acidente. Então onde neva não pode aterrissar nenhuma aeronave?'', questionou.
Para Correia, que também é professor no Instituto Tecnológico de Aeronáutica citar a falta de grooving e a qualidade da aderência da pista também é prematuro. ''Não dá pra falar que o acidente está totalmente relacionado à pista. Existem inúmeras outras causas a serem investigadas''.
A crise no setor aéreo será um dos principais assuntos que serão discutidos no simpósio realizado anualmente pela entidade, no mês de agosto, em Maringá com especialistas da área. ''Chegou a chance do governo tentar resolver essa questão, porque até agora, nada foi feito. Isso tem que ser resolvido de uma vez por todas''. A solução para a crise aérea, na opinião de Correia, seria, com urgência, nova infra-estrutura para os aeroportos de Campinas e Guarulhos e o escoamento de cargas aéreas para aeroportos menores, como o de São José dos Campos. ''Em Guarulhos tem que fazer a terceira pista e o terceiro terminal. E em Campinas ampliar, pelo menos, o terminal de passageiros''. ''O que precisa é fazer alguma coisa, já que absolutamente nada foi feito até agora'', enfatizou.
Para Correia, o aeroporto de Congonhas, pode ter as pistas liberadas mesmo depois do acidente. ''Falando cientificamente em aderência, se tiver aderência, não tem problema liberar a pista''. ''Não sei se houve pressão para que o aeroporto de Congonhas fosse liberado, mas não acredito que a Infraero liberaria uma pista sem condições. Não posso acreditar nisso!''.

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