Emerson Cervi
De Curitiba
‘‘Haverá risco de desabastecimento em pouco tempo se os autônomos ocuparem as praças de pedágio. ’’ A previsão é do diretor da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar), Ricardo MacDonald Ghisi, se referindo ao protesto dos caminhoneiros autônomos, marcado para ter início hoje, às 7 horas, em todas as 26 praças de pedágio do Anel de Integração.
Os caminhoneiros prometem impedir a passagem de veículos mas praças. Eles exigem uma renegociação dos valores do pedágio, que, pelos cálculos do governo, estão em média 112% mais caros para automóveis e 76% para caminhões. A categoria afirma que não terá condições de continuar transportando cargas pelo valor atual do frete e já cogitam aumento no preço para os próximos dias.
Os donos de transportadoras não participam das manifestações, mas ameaçam deixar os caminhões parados no pátio. Segundo MacDonald, o repasse no preço do frete será de pelo menos 20%. ‘‘Esse impacto vai variar de acordo com o tipo de carga’’, explicou. De qualquer maneira, a inflação do valor do frete vai se dar a partir dos próximos dias. ‘‘O transportador não tem condições de arcar com esse custo majorado, teremos que renegociar com os embarcadores os valores dos fretes’’, disse.
Os transportadores apresentaram várias sugestões para reduzir o impacto do reajuste no valor do frete durante a negociação com governo do Estado e concessionárias. Apenas uma, o destaque do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no valor do pedágio, foi acatada pelo governo. A partir de agora, o ICMS não irá mais incidir sobre os custos de pedágio. Isso representa uma economia de 12% do total gasto pelos caminhoneiros nos postos de pedágio.
Eles garantem que é insuficiente. Pedem o fim da incidência do eixo suspenso no cálculo das tarifas ou a cobrança unidirecional. Assim, os caminhoneiros só pagariam pedágio quando estivessem com os caminhões carregados.
As seis concessionárias de rodovias do Paraná começam hoje a contratar as empresas para fazer os orçamentos das obras iniciais de recuperação e duplicação de rodovias, previstas no novo cronograma de investimentos. Até o final de 2002 deverão estar restaurados 776 km e duplicados outros 242 km de estradas.
A assessoria do governo explicou os motivos da diferença entre os índices de reajuste anunciados e os cálculos dos transportadores. Segundo o secretário dos transportes, Heinz Herwig, o aumento médio é de 112% para carros de passeio e 76% para caminhões. Os transportadores alegam diferenças de pelo menos 2% e que os novos preços médios ficariam em 114,06% para carros de passeio e 77,64% para veículos de transporte de cargas.
De acordo com o governo essa diferença não é real. Ela pode ter sido causada pelo fato de os transportadores não considerarem todas as casas depois da vírgula para chegar ao resultado médio.Donos de empresas não participam da manifestação, marcada para hoje, às 7 horas, mas ameaçam deixar os caminhões parados no pátio
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