São Paulo, 26 (AE) - Em circular dirigida a seus associados, a Associação Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (NTC) declarou-se contrária à greve dos caminhoneiros iniciada hoje em várias regiões do País. No documento, o presidente da entidade, Romeu Nerci Luft, considerou "justas" as reivindicações da categoria, mas repudiou as paralisações e orientou as empresas associadas a evitar o uso de seus veículos nas manifestações. A entidade informou que o impacto econômico da paralisação ainda estão sendo avaliados.
"A NTC, por princípio, é contrária a todo tipo de protesto que envolva paralisações e a consequente possibilidade, mesmo que remota, de interferência no tráfego de veículos, com interdição total ou parcial de vias públicas", sustenta a circular. "Nossa orientação é a de que as empresas evitem, por todas as formas, a participação de veículos de suas frotas nas manifestações que eventualmente venham a ocorrer."
A iniciativa da categoria, denominada Movimento União Brasil Caminhoneiro - Uma Questão de Sobrevivência", teve início hoje, com protestos nas principais rodovias da Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e outras regiões do País. Os caminhoneiros reivindicam redução na taxa de pedágio, melhorias de segurança e circulação das estradas e abono das multas aplicadas depois da entrada em vigor do novo Código Nacional de Trânsito (CNT).
Na circular distribuída aos associados, a NTC ressalta que o setor passa por dificuldades e considera especialmente justas as reivindicações dos caminhoneiros em relação ao preço dos pedágios e da situação das rodovias. "Todavia, entendemos que não será com paralisações, que fatalmente levam a tumultos e a intolerância, que os problemas serão resolvidos", ponderou a entidade.
Setor - O setor de transporte rodoviário de cargas no País emprega cerca de 3,5 milhões de pessoas e fatura US$ 25 bilhões por ano, o equivalente a 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A frota nacional de veículos transportadores é de 1,675 milhão, responsáveis pelo transporte de 396 bilhões de toneladas por quilômetro.
O setor, com 63,72% de participação no transporte de cargas brasileiro, é formado por cerca de 350 mil autônomos (carreteiros), 50 mil transportadoras de carga própria (estabelecimentos comerciais e industriais que utilizam veículos próprios) e 12 mil transportadoras (empresas prestadoras de serviços).

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