Transponder desligado causou colisão
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quarta-feira, 11 de outubro de 2006
Agência Estado 
A causa determinante da colisão entre o jato Legacy e o Boeing 737-800 da Gol foi o transponder do jato estar desligado. Essa é a conclusão a que chegaram os peritos da Aeronáutica. Outros fatores também contribuíram para o acidente, mas eles, isoladamente, não teriam o poder de provocá-lo. Nessa situação está desde a atuação dos controladores de vôo do Cindacta-1, em Brasília, até o fato de o piloto do Legacy ter entrado na contramão de sua aerovia ao descumprir o plano de vôo.
A lógica da investigação mostra que o acidente começou a se desenhar antes mesmo da decolagem do Legacy em São José dos Campos. ''Quando não se conhece o lugar onde se está voando, deve-se estudar o plano de vôo e a rota no dia anterior'', diz um oficial. No caso, Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, pilotos do Legacy, faziam seu primeiro vôo no Brasil.
Sobre o controle de vôo, a suspeita é de que tenha havido dificuldade na comunicação via rádio entre os controladores e o piloto Lepore. Segundo o relato de um militar que ouviu a gravação das conversas, o inglês de Lepore é ''arrastado''. ''Não sei qual a fluência de inglês de cada um dos controladores de vôo que guiaram o Legacy, mas é provável que, em algum momento, o diálogo tenha ficado ininteligível'', disse o oficial. Os peritos não descartam ter havido uma demora entre o instante em que os controladores perceberam a altitude errada do Legacy e os primeiros alertas.
Ao passar sobre Brasília, o piloto do jato não fez contato com o Cindacta-1, o que é atípico. ''Quando uma aeronave passa de uma região para outra, é praxe que ela se comunique'', diz o militar. Ele ressalva que a possível falha na comunicação não foi decisiva. ''Hoje, se tivermos de falar em percentuais de culpa, seria 98% dos pilotos e 2% do controle de tráfego aéreo.'' A questão é: mesmo com tudo isso, se o transponder estivesse ligado, não haveria acidente.
Indenização- Pelo menos 15 famílias de vítimas da queda do avião da Gol vão acionar a Justiça americana para pedir indenização, em princípio, à ExcelAire, empresa empregadora dos pilotos do avião Legacy que colidiu com o Boeing da Gol no último dia 29.
As famílias contrataram um escritório de advocacia especializado em acidentes aéreos com sede em São Francisco, na Califórnia. Os americanos Robert Lieff e sua sócia, Lexi Hazam, anunciaram hoje em Brasília que, em um mês, vão ingressar com ações na Corte Federal de Nova York, onde fica a sede da ExcelAire, em favor dos familiares das vítimas.
O valor das indenizações será calculado individualmente. ''O direito americano é, de longe, mais generoso. Chega a ser dez vezes mais generoso que em outros países'', disse Lieff. Na véspera, a OAB divulgou nota repreendendo o comportamento de advogados brasileiros que estariam tentando cooptar clientes, de olho nas indenizações. No Brasil, profissionais costumam receber até 20% do que é pago às famílias nesses casos.
Os advogados americanos se dizem praticamente convencidos da culpa dos pilotos do Legacy Joseph Lepore e Jean Paul Palladino no episódio _ por isso, a ExcelAire deve ser a ré no processo nos EUA.


