Genebra- A Organização Mundial da Saúde (OMS), embora indique que o transplante de órgãos, células e tecidos de animais para seres humanos possa trazer benefícios no futuro, alerta que tais experiências ainda devem ser consideradas como de alto risco hoje em dia.
Para evitar consequências negativas para as populações e para orientar a comunidade científica e os governos sobre os efeitos dos transplantes, a OMS publicou ontem um guia do que deve ou não ser permitido em termos de transplantes entre animais e seres humanos.
Na avaliação da agência de saúde subordinada à Organização das Nações Unidas (ONU), os governos devem realizar um controle maior dessas práticas.
Segundo a OMS, testes realizados há poucos meses mostraram bons resultados no transplante de órgãos de suínos geneticamente modificados para outros animais. Mas em seres humanos, um dos raros casos de sucesso é a a cultura de um tecido a partir de células de ratos para a reconstituição de pele humana.
Mesmo assim, esse procedimento é controlado de forma bastante rigorosa pelos cientistas. Supostos tratamentos para diabete e desordens neurodegenerativas com elementos animais ainda estão em uma fase embrionária. O maior risco desse tipo de transplantes é a transmissão de doenças.
''Muitas infecções sérias na história da humanidade foram originadas em animais'', alerta a OMS, que explica que, uma vez no corpo humano, o novo vírus ou doença pode se espalhar rapidamente para um grande número de pessoas.
Vários países já adotaram leis regulando o transplante entre animais e homens. Em 2004, a OMS também aprovou uma resolução que estabelecia que esses transplantes somente poderia ocorrer ''quando controles regulatórios e mecanismos de monitoramento fossem estabelecidos pelas autoridades nacionais de saúde''.
Mas o que mais preocupa a OMS é que esses tipos de transplantes também ocorrem em países mais pobres onde os controles sanitários e técnicos não são sofisticados e seguros.
''Isso significa que não há prova da qualidade dos recursos do animal e não há monitoramento do recipiente do novo tecido, célula ou órgão'', diz a organização. Para ela, esses transplantes sequer deveriam ser autorizados em regiões que não possas oferecer essas garantias e serviços.
Para a OMS, uma das soluções é promover uma cooperação internacionais mais intensa e garantir os padrões desse tipo de intervenção cirúrgica. Enquanto isso, a agência da ONU defende que leis mais duras devem ser aprovadas e aplicadas em todos os países.

mockup