Curitiba - O número de transplantes de órgãos realizados no Paraná cresceu 40% no ano passado em relação a 2011. A quantidade de procedimentos passou de 300 para 420 e, se comparado com 2010, o aumento chega a 130%, ano em que o Estado realizou 183 procedimentos. Os dados são da Central Estadual de Transplantes, da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), e foram divulgados ontem.
Do total de transplantes realizados em 2012 no Estado, 276 foram de rins, 100 de fígado, 26 de coração e 18 de pâncreas. Para a diretora da Central Estadual de Transplantes da Sesa, Arlene Badoch, uma série de fatores influenciou no resultado positivo, entre elas uma maior capacitação dos profissionais que integram as comissões intra-hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), maior conscientização da população, campanhas educativas sobre o assunto e melhoria da captação e transporte dos órgãos.
''É um ótimo resultado, temos que comemorar esses números, mas não podemos esquecer que a quantidade de pacientes na fila de espera não diminui. A luta continua até porque, no País, 50% daqueles que aguardam um transplante de fígado ou de coração acabam falecendo. Os pacientes que aguardam um rim ainda podem fazer a diálise e, com isso, conseguem esperar por um órgão'', disse.
Ela também atribui o crescimento à criação e aperfeiçoamento das Comissões de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Copott), localizadas em Londrina, Maringá e Cascavel. ''Instituições destas regiões desenvolvem um trabalho excepcional e têm colaborado para que os procedimentos ocorram com mais frequência'', completou Arlene.
Conforme Ogle Beatriz Bacchi, coordenadora da Central Regional de Transplantes Norte/Londrina, a região possui o maior índice de captação de órgãos de todo o Paraná (24,83 por um milhão de habitantes). ''A situação é boa, mas ainda pode melhorar. Há alguns anos estávamos entre as regionais com o menor índice de captação. Este aumento se deve a um trabalho intensivo junto aos hospitais da região e à capacitação dos profissionais envolvidos'', ressaltou. Ogle destaca ainda que em 2011 de 94 pacientes com morte encefálica diagnosticada, apenas oito familiares autorizaram a doação de órgãos.
No ano passado, de 122 pacientes, 34 concordaram com a doação, um crescimento de 325%. ''Mas a porcentagem de famílias que autorizam o procedimento ainda é pequena (18%) entre os 122 pacientes. E por isso é necessário o trabalho ser contínuo'', explica.

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