Curitiba- Um procedimento realizado em novembro no Hospital Cajuru, em Curitiba, vem sendo apontado como a grande esperança de diabéticos com intensas crises de hipoglicemia e de hiperglicemia que não conseguem controlar a doença através de injeções de insulina. Trata-se do transplante de ilhotas pancreáticas, método que consiste em isolar células do pâncreas de um doador cadáver e infundi-las no organismo do diabético para que volte a produzir insulina.
Os especialistas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), do Hospital Cajuru e da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba responsáveis pela cirurgia descrevem que foi a primeira vez que este tipo de transplante foi realizado no Sul do Brasil. ''A grande barreira é a pouca disponibilidade de órgãos. O número de doadores no Paraná ainda é pequeno'', comenta Miguel Carlos Riella, coordenador das pesquisas e responsável pela equipe que realizou o transplante.
O procedimento resultou de cinco anos de estudos apoiados pela Fundação Pró-Renal, com financiamento da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Os índices de sucesso do transplante, de acordo com estudos canadenses, são de que 85% dos pacientes alcançam a independência de insulina no primeiro ano após o procedimento e 70% no ano seguinte.
''Entretanto, os estudos apontam que a longo prazo pessoas submetidas ao transplante podem voltar a necessitar de injeções de insulina'', explica o médico. Riella salienta que o transplante é indicado para pacientes com diabete tipo 1, ou seja, mais jovens e cujo organismo não produz nenhuma quantidade de insulina.
A jornalista Regina Camargo, 39 anos, foi a paciente submetida ao procedimento no Hospital Cajuru. ''Tenho diabete há 11 anos. Os maiores incômodos eram as injeções de insulina, três vezes ao dia, doses altas, e as complicações. Eu tinha crises de hipoglicemia e hiperglicemia'', relata Regina.
''Depois do transplante, meu organismo está mais equilibrado. Estou tomando doses menores de insulina e por enquanto não tive mais descompensações. Estou na fila de espera para outro transplante, depois do qual provavelmente vou poder parar de tomar insulina'', aponta a jornalista.

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