Transplante do 'Bombeirinho de Maringá' é adiado
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sexta-feira, 05 de outubro de 2012
Mariana Franco Ramos <br> Reportagem Local 
Curitiba - O transplante de medula óssea do menino João Daniel de Barros, de 6 anos, conhecido como o ''Bombeirinho de Maringá'', está marcado para o dia 24 de outubro, no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. Inicialmente agendado para ontem, o procedimento foi adiado por conta da indisponibilidade do doador, que mora nos Estados Unidos.
O garoto está na Capital desde o dia 10 de setembro e está recebendo acompanhamento ambulatorial contínuo. Segundo o médico hematopediatra Lizandro Lima Ribeiro, do HC, uma semana antes de receber a medula João passará por um processo de condicionamento. ''No caso dele, que tem uma leucemia linfoide aguda, será feito um preparo utilizando radioterapia e quimioterapia'', afirmou Ribeiro.
O objetivo, explica, é eliminar a medula doente, para que o menino tenha condições de receber a nova. ''É um procedimento simples, mas de alta complexidade, pois você irá trocar o sistema imune da criança. Neste período, após o transplante, ela ficará mais suscetível a infecções'', contou.
De acordo com a mãe do garoto, Ana Paula Estevam, ele passa bem e está bastante ansioso. ''A gente está com muita esperança e muito feliz mesmo por ter conseguido esse doador. Ele já fez todos os exames e agora está só aguardando o dia 16, quando será internado. Acreditamos que tudo vai dar certo'', disse.
A recuperação total demora aproximadamente seis meses. A expectativa, porém, é que em menos de 30 dias João receba alta e que, logo em seguida, possa retornar a Maringá. Depois, ele fará o acompanhamento uma vez por mês, na Capital. A compatibilidade da medula do doador é de 90%, considerada boa pelo médico.
João ficou seis meses na fila do transplante do HC. Mas a luta contra a doença começou bem antes, em 2007, quando veio o diagnóstico. Desde então, a criança enfrentou sessões de quimioterapia e passou por outras cirurgias, até receber a indicação do transplante.
Em 2010, o Corpo de Bombeiros de Maringá realizou um dos sonhos do menino: ser um bombeiro. Vestido com a réplica do uniforme da corporação, ele foi ''resgatado'' do quarto do hospital onde estava a bordo da escada da viatura. Com a divulgação do fato, acabou se transformando em símbolo nacional da campanha pela doação de medula óssea.
Doações
Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos que não tenha doença infecciosa pode ser um doador de medula óssea. Para isso, basta procurar o banco de sangue da sua cidade, onde será coletada uma amostra de sangue. Caso haja compatibilidade com algum paciente, o doador é chamado para fazer os testes e realizar o procedimento.
''Quanto mais doadores os nossos bancos tiverem, mais pacientes irão se beneficiar. A conscientização das pessoas é importante para que outras crianças, e mesmo adultos, sejam salvas com o transplante'', conta o médico Lizandro Lima Ribeiro.
Segundo ele, o Brasil possui o terceiro maior banco de doadores do mundo, com mais de três milhões de cadastros. ''O problema é que muitas pessoas acabam se cadastrando por ter um familiar com a doença e, quando o caso é resolvido, elas deixam de doar.''
O Hospital de Clínicas da UFPR realiza em média 100 procedimentos deste tipo por ano, sendo que em 70% os doadores não são parentes. A sobrevida em crianças, de acordo com o hematopediatra, também gira em torno de 70%.


