Transplante de medula óssea tem regras definidas
Agência Estado
De Brasília
Quem precisar de um transplante de medula óssea deverá primeiro procurar no Brasil o doador compatível com suas caracteríticas genéticas, antes de tentar localizá-lo em bancos internacionais. A regra consta da portaria de regulamentação de transplante de medula óssea, assinada pelo ministro da Saúde, José Serra, e publicada semana passada no Diário Oficial.
A regulamentação define três etapas que serão obrigatoriamente respeitadas. O primeiro passo é procurar o doador entre parentes do paciente, grupo com maior probabilidade de sucesso de identificação. Em seguida, deve-se recorrer aos bancos nacionais de doadores que já contam com 20 mil inscritos centralizados no Registro de Doadores de Medula (Redome), o banco do Instituto Nacional do Câncer (Inca). O número é bem abaixo dos 50 mil desejados.
Somente depois de eliminadas as duas possibilidades de encontrar alguém compatível geneticamente no Brasil é que se dará a busca no exterior. Antes ficava a critério do médico ou do hospital o início da procura de um doador em bancos internacionais. Normalmente, segundo informações do secretário-executivo do ministério, Barjas Negri, logo após o teste genético entre os familiares tentava-se uma solução fora do País.
O Sistema Único de Saúde (SUS) vinha enfrentando problemas com essa sistemática, porque acabava sendo obrigado pela Justiça a ressarcir os gastos. E a busca de um doador somada à realização do transplante no exterior pode atingir até R$ 300 mil. No Brasil, o valor da busca varia entre R$ 12 mil a R$ 15 mil.
Muitas vezes, a família tinha de desembolsar o dinheiro, o que dava origem a inúmeras campanhas de doações. Vamos deixar de passar pelo constrangimento das campanhas: algumas sérias, mas também recebemos denúncias contra outras que não eram legais ou morais, comentou Negri.
Agora, o SUS vai pagar antecipadamente pelos procedimentos realizados no exterior antes era só com a fatura , desde que previamente autorizados. Apenas o Inca e o Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná estão hoje credenciados a consultar bancos internacionais de doadores de medula.
Qualquer pessoa pode inscrever-se como doadora, basta procurar os hemocentros e fazer o teste para a tipificação genética. Para o candidato a doador, o teste é grátis, mas para o SUS custará R$ 125,00. Feito o exame, o voluntário passa a constar do banco de dados de doadores. Em caso de vir a ser chamada para doar a medula óssea, a pessoa ficará internada por dois dias sob observação depois da doação.





