Londrina - Depois de passar mal durante uma caminhada em setembro do ano passado, o policial federal aposentado Silmar Canuto Lemos descobriu que precisaria de um transplante de fígado, devido a uma cirrose causada por uma bactéria. Depois de algum tempo de busca, ele descobriu que poderia entrar para a fila do transplante em Blumenau, em Santa Catarina. Devido ao seu estado de saúde, ele precisava ser operado logo ou poderia não resistir.
Há quase cinco meses Canuto fez o transplante de fígado, e agora, para celebrar a vida e, acima de tudo, tentar conscientizar as pessoas sobre a importância da doação de órgãos, ele vai reunir neste domingo amigos e familiares para uma confraternização, ao mesmo tempo em que dará início a uma campanha para doação.
"Doadores são heróis que salvam vidas. Eu tinha preconceitos, tinha questionamentos quanto a doar. Conheci muitas outras pessoas que também precisam de um transplante e também transplantados. E quis retribuir a chance que Deus me deu", explica.
Sua esposa, a terapeuta Marcela Ananda Canuto Lemos, diz que durante o tempo em que moraram em Blumenau e iam ao hospital, presenciaram muitas famílias que não tiveram a mesma sorte e perderam seus entes queridos. "Vimos essa necessidade de falar, porque aqui ainda não temos a cultura da doação", diz.
Canuto reforça que quanto mais doadores existirem, menos pessoas ficarão na angústia de esperar por um órgão. "É um momento muito difícil quando avisam que seu órgão chegou. Você está feliz mas uma família está triste, sofrendo. É um momento de reflexão, de oração pelo doador, pelos médicos", conta, emocionado.
No encontro, serão exibidos vídeos com entrevistas, e Canuto e outros transplantados darão seus depoimentos. "Também vamos distribuir camisetas e pretendemos desenvolver outras ações posteriormente, como caminhadas no Lago Igapó e ações no Calçadão", explica Canuto.
Ele reforça também a importância de se falar com a família sobre ser um doador e que essa decisão seja respeitada, já que é necessária a autorização dos parentes para a retirada dos órgãos.

Faixas
O bancário aposentado Richardson Pereira de Moura também é transplantado de fígado há três anos, e neste domingo estará dando seu depoimento. Moura conta que já antes de fazer a cirurgia procurava participar de campanhas de doação, porque já sabia do sofrimento que é a espera.
Já curado, Moura afirma que sempre participa de provas de corrida e caminhada, em que leva faixas alertando sobre a importância da doação. "As pessoas acham que não vão precisar (de transplante). Quero conscientizá-las, há muitos que sofrem com essa necessidade. Algumas pessoas inclusive têm preconceito contra o transplante de fígado, acham que a pessoa se drogou, bebeu, mas muitos podem pegar hepatite no salão, em outros lugares, e nem sabem que estão doentes", afirma.

Serviço: O encontro será a partir das 17 horas, no Hotel Blue Tree, na Av. JK, 1356. Interessados em participar devem entrar em contato pelo e-mail [email protected]

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