A Transpetro –empresa subsidiária da Petrobras responsável pelos dutos e terminais da empresa– nega que a redução de produtividade reclamada pelos agricultores que possuem terras às margens dos rios do Meio e Sagrado, na Serra do Mar, seja consequência do vazamento de óleo, ocorrido em 16 de fevereiro. Na ocasião, um poliduto usado para transporte de combustível entre a Refinaria de Araucária (Repar), na Região Metropolitana de Curitiba, e o Porto de Paranaguá rompeu, provocando o vazamento de 52 mil litros de óleo em direção aos rios.
Segundo o gerente da Transpetro no Paraná, Luiz Vicente Ferreira da Costa, após o acidente, nos meses de feveiro e março, a empresa contratou firmas especializadas e técnicos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que analisaram amostras do solo de áreas ao longo dos dois rios e constararam que o solo estava isento de óleo. ‘‘Nós distribuímos aos proprietários ribeirinhos cópias destes laudos, dando conta de que o solo não estava contaminado’’, diz Costa.
Os agricultores afirmam que, quatro meses depois do acidente, a região ainda sofre os efeitos da poluição. Para eles, a perda de parte das lavouras deve-se à presença de óleo no solo e à ausência de abelhas, reponsáveis pela polinização, que teriam fugido do local por causa do cheiro.
De acordo com Costa, vistoria feita por técnicos agrícolas mostra que uma das causas da baixa produtividade é a alta umidade do terreno. ‘‘O local é baixo e está muito úmido, por isso não dá uma produção boa’’, afirma Costa.
‘‘Alguns agricultores perderam a área, o solo não responde e a semente não germina’’, contesta o prefeito de Morretes, Helder Teófilo dos Santos (PMDB). Na época, segundo ele, a prefeitura cadastrou os moradores afetados e repassou os números para que a Petrobras garantisse a subsistência de cada um. A Petrobras afirma que atendeu, no período, 150 famílias de 50 propriedades. No início, os trabalhos voltaram-se ao atendimento médico e, posteriormente, à assessoria agronômica e veterinária.
Como o maior problema foi a contaminação da água, os trabalhos foram direcionados ao fornecimento às famílias que dependem dos rios atingidos. De acordo com Costa, foram construídos açudes, abertos dois poços artesianos, construídas caixas receptoras e mangueiras para puxar água de outras nascentes dos morros. O problema é que, apesar dos rios continuarem interditados pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), muitos agricultores não têm alternativa para manter as lavouras.

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