Trânsito paulista exige modernização
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domingo, 12 de novembro de 2000
Milton F. da Rocha Filho Agência Estado. De São Paulo 
São Paulo, a maior cidade do País, merece um sistema de sinalização de trânsito mais eficiente e dinâmico que permita avisar ao motorista o que ocorre à sua frente. E o principal, que dê a ele condições para adotar medidas que evitem ficar parado por horas em um dos inúmeros congestionamentos que a cidade sofre.
Hoje, a cidade possui 320 mil placas entre as de informação com as determinações do Código de trânsito ou as que permitem indicações de lugares. A oficina de placas da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) conserta diariamente 114 unidades; ou são placas que foram pichadas ou atingidas por tiros de armas de fogo e foram perfuradas. Um vandalismo inaudito.
O problema é que mesmo com a boa vontade de técnicos da CET, a Prefeitura de São Paulo não tem recursos para mudar o atual status quo, isto é, faltam recursos para que se aplique um plano de mudanças de placas, um plano que permita a inovação de todo o sistema, com ganhos para os motoristas paulistanos.
A cidade tem atualmente a movimentação de cerca de 5 milhões de veículos por dia, um cálculo feito sem pestanejar e que mostra a necessidade do rodízio diário, que apenas atenua os problemas, conforme os técnicos. O especialista em trânsito e também presidente do Instituto Brasileiro de Trânsito, o engenheiro Roberto Scaringella, admite que os recursos que seriam utilizados na melhoria da sinalização do trânsito da cidade acabam sendo desviados. Não me lembro entre os últimos prefeitos, quais os que usaram os recursos conseguidos com as multas de trânsito no próprio trânsito. Ninguém mesmo, disse.
Uma estimativa de Scaringella mostrou que pelo menos R$ 280 milhões são arrecadados no trânsito paulistano e desviados para outras finalidades e não para a educação em trânsito ou novas sinalizações. O Código de Trânsito Brasileiro no seu artigo 320, pede que os recursos arrecadados com multas, sejam destinados para a melhoria do trânsito, o que não ocorre aqui em São Paulo ou na maioria das cidades brasileiras, denuncia Scaringella.
Das 320 mil placas de trânsito que a cidade possui, pelo menos 300 mil são de orientação do tráfego; e as outras 20 mil são para orientação de trajetos. Os técnicos responsáveis pela manutenção das placas substituem 3.436 placas por mês, ou seja 114/por dia. Muitas placas quando não são deformadas, arrasadas, pichadas, são roubadas. Muitas são retiradas para limpeza.
Scaringella disse que a situação da sinalização de São Paulo pode melhorar. Acho que pode melhorar sem dúvida alguma o sistema. É preciso que São Paulo entre na era do trânsito inteligente. É preciso que se passe a usar na cidade os semáforos inteligentes; as câmeras de televisão; e as placas eletrônicas controladas à distância, que avisam os motoristas sobre o que ocorre à sua frente e dê dicas de como sair do congestionamento, afirmou.
O especialista entende que chegou a hora de se usar um serviço interativo e que dê mais tranquilidade aos motoristas, que retire deles uma carga de estresse ao dirigir na cidade. Os novos equipamentos podem retirá-lo de forma mais fácil dos congestionamentos. Veja os casos de Paris ou outras cidades mais adiantadas do mundo, onde já se usam as modernas sinalizações, afirmou.


