São Paulo, 07 (AE) - O segundo dia da greve de motoristas e cobradores deixou o trânsito confuso pela manhã na zona leste. As peruas rodaram cheias, a maioria cobrando tarifa de R$ 1,00 e outras pedindo R$ 2,00 por viagem. Na Estação Itaquera do metrô, filas nas bilheterias. Nos pontos de ônibus, homens, mulheres e crianças esperando condução.
A continuação da greve pegou de surpresa a caixa de loja Maria da Cruz, de 32 anos. "Achei que a greve era só ontem", dizia ela com o filho no colo. Vinícius, de 1 ano, não comia desde que acordara, às 7 horas, pois faria exame de sangue. Os dois pegaram um lotação no Bairro dos Pimentas às 7h30. Chegaram na Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, em São Miguel Paulista, às 8 horas.
O sacrifício do dia de complicações deveria resumir-se às viagens mais demoradas e desconfortáveis para o segurança Francisco Evaristo de Macedo, de 20 anos. Pagar mais que o valor da passagem cotidiana de ônibus, de jeito nenhum. "Os perueiros estão cobrando mais caro hoje", disse. "Tem de ver com o patrão se ele paga". Às 7h40, estava em São Miguel Paulista. Às 8 horas, deveria estar em Artur Alvim. Decidiu, então, tomar uma perua, mesmo a passagem sendo 35 centavos mais cara que a de ônibus. Sem feridos - Maria, seu filho e o segurança haviam deixado o ponto momentos antes de o motorista Antônio Iúna encostar seu ônibus clandestino, um dos vidros do pára-brisa quebrado por manifestantes. O veículo estava cheio, mas Iúna garantiu que ninguém se machucou na Avenida Marechal Tito, quando a pedra foi lançada. "Estava vazio".
Cheia estava a Estação Itaquera do metrô às 7 horas. Peruas não paravam de chegar. Cada vez chegava mais gente. As filas nas bilheterias não paravam de crescer. Os vendedores de bilhete com ágio gritavam sem cansaço ao lado do portão de entrada da estação "sem fila aqui." Bilhetes unitários eram vendidos por R$ 1,50, enquanto preço correto é de R$ 1,25. E todos os outros, mesmo os de integração com ônibus, eram oferecidos.
Os cambistas haviam chegado às 5 horas. Não compraram seus tíquetes nas bilheterias, mas de funcionários que os recebem como vale-transporte das empresas em que trabalham. "Hoje, vendi mais de 200 bilhetes", disse um cambista, ainda com algumas centenas de tíquetes nas mãos.
Na zona sul, outra vez os trabalhadores que dependem de ônibus para se deslocar tiveram de enfrentar as dificuldades causadas pela greve. Como no dia anterior, o trânsito ficou congestionado. Para tentar controlar a situação, funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) operavam manualmente três semáforos. "Hoje tem mais perueiro do que ontem; quem tem uma peruinha está fazendo a festa", disse o técnico Henrique, da CET, enquanto tentava fazer com que o trânsito fluísse melhor. O congestionamento atingiu a Alameda Santo Amaro e a Ponte do Socorro. (Colaborou Cléo Francisco)

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