TRÂNSITO - Mobilidade também depende de conscientização
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domingo, 04 de março de 2018
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 

Segundo a engenheira civil Carolina Alves do Nascimento Alvim, o papel do cidadão também é essencial na melhoria da mobilidade urbana, fazendo com que a responsabilidade não fique restrita apenas ao poder público. "O maior problema pode ser planejamento, mas o excesso de veículos e falta de conscientização do cidadão interferem. Uma vez, quando foi feito um dia sem carro no centro de Londrina, por exemplo, centenas de pessoas acharam ruim. Ainda temos a lei para adequação das calçadas, mas na maioria das vezes só os novos empreendimentos são alinhados com a acessibilidade", supõe.
Para ela, algumas medidas simples poderiam resolver várias situações da mobilidade de Londrina. Coordenadora do curso de engenharia civil da Unifil, a profissional conta que há três anos a instituição, junto com outras universidades, começaram um projeto de discussão junto à CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). Entretanto, ao longo do tempo, somente a faculdade em que leciona continua na iniciativa.
Entre as propostas encaminhadas à companhia estão intervenções em placas e sinalização, que vêm sendo estudadas desde 2012. A intenção é mapear toda a cidade e o início da verificação foi pela região central. A situação encontrada na área pode estar se repetindo em outras localidades. "São ruas mal sinalizadas, placas de trânsito e pontos de ônibus nos lugares errados, falta de visibilidade em cruzamentos", especifica. "No geral temos uma boa mobilidade, porém com determinados pontos ruins", constata.
Já o docente Fábio César Alves da Cunha, do departamento de geociências da UEL, afirma que o trânsito se tornou um problema em decorrência da falta de planejamento em algumas regiões. "O planejamento urbano é muito importante para qualquer cidade. Ainda mais no caso de Londrina, que possui cerca de 550 mil habitantes e que ainda é polo de um aglomerado metropolitano com mais de um milhão de pessoas", salienta.
SUSTENTABILIDADE
Uma orientação da Política Nacional de Mobilidade Urbana é para o pensamento de cidades sustáveis ecologicamente. "Não podemos esquecer da cidade que queremos: para carros ou para todos? Posso estar resolvendo problema dos carros, mas posso estar criando grandes problemas para o pedestre e o ciclista. É preciso resolver os gargalos, mas se preocupar em como vai ser deixada a cidade."
Os especialistas ressaltam que o investimento no transporte coletivo, ciclofaixas e acessibilidade estão entre as grandes maneiras de oferecer mobilidade com qualidade. "O transporte público é a melhor opção. As pessoas não usam porque não é adequado, mas se fosse rápido e com um custo baixo seria interessante", diz Carolina Alves do Nascimento Alvim, que ainda sugere a implantação de vias binárias e fim do estacionamento em certas vias, assunto este que define como complexo e polêmico.


