Londrina - De acordo com o geriatra Marcos Cabrera, de Londrina, a transição da pirâmide populacional aconteceu de maneira mais veloz em países em desenvolvimento, como o Brasil, do que em países mais ricos, como alguns da Europa ou os Estados Unidos. ''Será que dará tempo de organizar os países em desenvolvimento do ponto de vista antropológico a essa nova realidade? Seria preciso organizar antes o mercado de trabalho, pois haverá um custo social em função do aumento da proporção de idosos'', alerta.
Cabrera destaca que, além da proporção de idosos em relação às crianças de cinco anos estar maior, as pessoas estão vivendo mais tempo como velhos. ''Hoje as pessoas vivem cerca de 20 anos como idoso. Que oportunidades eles terão?'', questiona.
E não é apenas a falta de oportunidade para os idosos que preocupa. Questões mais simples, como o mobiliário urbano das cidades, também têm de ser levadas em conta. O geriatra destaca que a maioria dos municípios não está preparada para oferecer condições de ir e vir com seguranças para os integrantes da terceira idade.
'' Muitos falam para os idosos frequentarem os espaços públicos, mas a cidade é concebida como se fosse para os jovens, com semáforos com tempos curtos de travessia e outros obstáculos que desafiam as dificuldades de visão que enfrentam'', ressalta. Cabrera explica que os obstáculos fazem com que os idosos procurem conviver em grupos da terceira idade, que podem ser considerados ''guetos'', para poder exercer a sua cidadania.
''O fato das cidades não acolherem os idosos de maneira normal e harmônica gerou a necessidade da criação do Estatuto do Idoso, para proteger essas pessoas da própria socidade'', ressalta Cabrera, referindo-se à legislação aprovada em 2003 para defender os direitos da terceira idade.
Do ponto de vista médico, Marcos Cabrera ressalta que as doenças que mais atingem os idosos são multifatoriais e podem ter origem, inclusive, na tristeza, depressão ou situação financeira. Hoje o SUS contempla o atendimento de adultos, mas há um deficit no atendimento dos idosos, uma vez que não contempla tratamentos importantes, como fisioterapia e terapias ocupacionais, por exemplo.(V.O.)

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