Curitiba - Segundo o presidente nacional do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, a transição do governo federal e o adiamento no repasse de recursos do Orçamento do ano passado atrapalharam a implantação de novos assentamentos em todo o País.
Lacerda assumiu o comando do órgão em março de 2011. As diretorias das superintendências regionais, no entanto, só foram completamente definidas em setembro. A demora fez com que a maior parte do orçamento só fosse executada no final do ano passado. ''Fizemos o pagamento de áreas para a reforma que ainda não apareceram nos números de 2011. Eles só vão aparecer nos resultados deste ano'', alega.
Para ele, outro fator que explica a redução no número de assentamentos é a queda na demanda. ''Há muito menos famílias acampadas do que no governo do presidente Lula.''
Outro ponto importante, segundo Lacerda, é a mudança de foco na gestão da reforma agrária. ''Anos atrás a única coisa que se fazia era a distribuição de lotes. Com o governo passado (aumentou) a preocupação em dotar os assentamentos de infraestrutura. Ocorreram mais investimentos na construção de estradas, casas, redes de energia elétrica e de água'', aponta.
Lacerda ressalta que o foco passou a ser o investimento em condições para que os assentados produzam e gerem renda. ''Boa parte do Incra está dedicada hoje à assistência técnica, melhoria nas condições de infraestrutura, regularização ambiental. Tudo isso reduziu em parte a capacidade de assentar novas famílias, mas é preciso compreender que a reforma não se resume à criação de novos assentamentos'', diz. ''Na verdade, a parte mais difícil vem depois da concessão do lote. É o desafio de inserir as pessoas no processo produtivo, na agricultura familiar.''(R.C.J.)

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