Transgrupo é referência na promoção de direitos
Curitiba - Os projetos desenvolvidos pelo Transgrupo Marcela Prado, em Curitiba, beneficiam diretamente 400 pessoas, mas a ONG, criada em 2004, chega a realizar 5 mil atendimentos por ano. ''Desde 2006, Curitiba se tornou um ponto de passagem das travestis no Brasil todo. Quando as meninas querem migrar para o Rio Grande do Sul ou Santa Catarina em busca de trabalho, por exemplo, passam por aqui e nos procuram'', explica a presidente da organização, Carla Amaral.
A principal meta do Transgrupo é ''dar visibilidade a essa parcela da população, ainda muito estigmatizada''. ''Trabalhamos para que as pessoas conheçam essas meninas não apenas como profissionais do sexo. Hoje temos trans ocupando cargos públicos, advogadas, professoras da rede estadual e em diversas outras áreas'', ressalta.
Marcela Prado foi a primeira travesti a ocupar uma cadeira cativa na Ordem dos Advogados do Brasil - Seção do Paraná (OAB-PR). Mesmo sem formação em Direito, foi convidada como forma de reconhecimento pelo trabalho realizado na área de promoção aos direitos humanos. Ela morreu de aids há oito anos.
Uma das vitórias do grupo, de acordo com Carla, foi a aprovação da resolução 188 da Secretaria de Estado da Saúde, em 2010. A exemplo do que acontece na educação, o documento permite que travestis e transexuais utilizem o nome social em todos os serviços públicos de saúde do Paraná, incluindo fichas de cadastro, formulários e prontuários.
Os desafios, no entanto, são muitos. A Classificação Internacional de Doenças ainda considera a transexualidade como um transtorno de identidade de gênero, identificada pelo CID 10F64. A presidente do Transgrupo explica que há tempos o movimento LGBT briga para retirá-la da lista. ''Se eu fosse doente mental, estaria internada num hospício ou numa clínica, me tratando. Não teria uma vida normal, trabalhando e buscando os meus direitos enquanto pessoa e cidadã sadia.''(M.F.R.)





