Transgênicos: IAC e Monsanto discutem parceria
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segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 29 (AE) - O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a Monsanto, multinacional do setor de biotecnologia e agricultura, estão mantendo entendimentos para desenvolver, pela primeira vez no País, mudas transgênicas de cana-de-açúcar e café. O diretor geral do IAC, Eduardo Antônio Bulisani, disse que a parceria terá objetivos científicos e não comerciais. Segundo ele, caso o acordo seja firmado, os primeiros resultados só deverão ser conhecidos em três anos. "A Monsanto possui a patente dos genes e nós detemos a tecnologia para desenvolver as novas variedades", explicou Bulisani.
As pesquisas para modificação genética, disse, teriam como principal objetivo desenvolver plantas mais resistentes às pragas e aos efeitos nocivos dos herbicidas. "Se firmarmos o acordo, no futuro os produtores poderão escolher entre as variedades transgênicas e as que já estão disponíveis no mercado", comentou. No caso da cana-de-açúcar, seriam necessários pelo menos dois anos de pesquisa para chegar às primeiras mudas transgênicas. Para o café, os resultados só apareceriam em três anos. Depois disso, ainda seria necessário mais um ano de testes e observação no campo. "Só depois é que os produtos seriam certificados e estariam prontos para uma eventual comercialização", afirmou.
Bulisani diz que seria possível tornar as plantas mais resistentes às pragas a partir da modificação genética. "Basta introduzirmos o gene que oferece essa capacidade". Para proteger a plantação dos efeitos nocivos dos herbicidas, seriam usados genes que produzem enzimas capazes de destruir o princípio ativo do produto químico. "Nesse caso, as ervas daninhas seriam exterminadas, mas cana ou o café permaneceriam protegidos".
Embora já realize, com sucesso, experiências para melhoramento genético entre variedades da mesma espécie, o IAC ainda não desenvolveu nenhuma experiência com transgênicos. Mesmo assim, atua na área de regulamentação e certificação desse tipo de produto, em conjunto com a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável pela avaliação das experiências que envolvem mudanças genéticas.
No início do ano, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) contestou, na Justiça, a decisão da CTNBio em liberar o plantio comercial da soja transgênica desenvolvida pela Monsanto. Na ação, o Idec alega falta do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima). A principal suspeita é de que os produtos transgênicos seriam prejudiciais à saúde. "Até o momento, não há nenhuma prova científica de que os transgênicos sejam prejudiciais à saúde", afirma o diretor do IAC. Bulisani considerou "precipitada" a contestação judicial apresentada pelo Idec. "Do ponto de vista tecnológico, os transgênicos representam um grande avanço", diz. Segundo ele, a inovação aumenta a capacidade produtiva sem agredir o meio ambiente.


