São Paulo, 22 (AE) - O Ministério da Justiça informou hoje que a transferência dos sequestradores do empresário Abílio Diniz depende de o governo argentino enviar um documento ao Ministério das Relações Exteriores informando que o texto do tratado também já foi aprovado na Argentina. Amanhã (23), os dois líderes do sequestro, os irmãos argentinos Humberto e Horácio Paz, completarão o segundo dia de greve de fome.
A informação do Ministério da Justiça foi dada ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Ele conversou ontem com o secretário substituto da Justiça, Luiz Paulo Teles Barreto, que lhe enviou um documento com seis pontos explicando a posição do governo brasileiro. "Cabe ressaltar, todavia, que a vigência bilateral do tratado depende da troca de instrumentos de ratificação", explica o texto. "Desde 10 de março de 1999, o Itamaraty já comunicou ao governo da Argentina a aprovação e estávamos aguardando a nota daquele país no mesmo sentido". Críticas - Além do contato com o Ministério da Justiça, o senador também se reuniu com o embaixador argentino, Hugo Jorge Herrera Vegas, para tratar do caso. Humberto e Horácio querem ser transferidos para a Argentina, onde cumpririam o resto de suas penas, de 18 e 17 anos de prisão, respectivamente. Eles são os últimos dos sequestradores que ainda permanecem presos no Centro de Observação Criminológica (COC), no Carandiru. Os dois canadenses e os cinco chilenos que participaram do crime, ocorrido em novembro de 1989, já foram transferidos para seus países. O único brasileiro do grupo, Raimundo Rosélio Costa Freire, foi transferido para seu Estado natal, o Ceará, onde recebeu liberdade provisória.
"Se a lei fosse cumprida e nós estivéssemos em liberdade condicional, a diplomacia não teria de fazer a função da Justiça", dizem os presos num comunicado divulgado pelo comitê de apoio. O juiz Otávio Augusto Machado de Barros Filho, da Vara das Execuções Criminais, criticou hoje a greve de fome. "Eles deviam aguardar a aplicação da lei". (Marcelo Godoy)

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