São Paulo, 31 (AE) - A transferência de 39 meninas da Unidade de Acolhimento Provisório 3 (UAP-3), na Rua da Alegria, no Brás, para a Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Taipas e Franco da Rocha revoltou os monitores do local. A unidade, considerada modelo pela própria Febem, foi desativada para receber os menores do "seguro", vindos do Complexo Imigrantes.
O drama dos funcionários da UAP-3 começou no sábado, quando foram informados que deveriam ser deslocados para o prédio vizinho. Duas horas depois, um telefonema comunicou a impossibilidade da mudança, e uma nova ordem foi dada. As meninas seriam divididas em grupos e transferidas para outras unidades da Febem, naquela mesma noite.
Sem ter para onde ir e como transportar a mudança, as jovens ameaçavam se rebelar. "Só não levantaram tudo isso aqui em nossa consideração", diz uma das monitoras da unidade. Com medo de represálias, os funcionários não quiseram se identificar.
Segundo os monitores, as garotas recebiam aulas de tricô, datilografia, ginástica, além de cumprir o currículo escolar. Mesmo abrigando jovens presas por terem cometido delitos graves, a reincidência caiu em 75%.
"Essas meninas nos ajudaram a reformar o prédio, pintaram e decoraram, pois essa era a casa delas", disse uma monitora. "Fizemos várias festas para elas com nossos salários; o que está acontecendo não é justo." Os monitores e a coordenação da UAP-3 também serão transferidos para outras unidades da Febem.
Os monitores não souberam informar por que os garotos não podem ficar misturados enquanto as meninas foram transferidas todas juntas, não importando o delito ou se já haviam sido julgadas. "Tem menina que chegou ontem mesmo aqui, não foi nem julgada, e já mandaram para Franco da Rocha; você acha que ela vai sair como de lá?", disse inconformada uma funcionária.
Representantes da Assessoria de Imprensa da Febem e da direção da unidade não foram localizados na tarde de hoje para explicar o caso.

mockup