Transbordo da nafta gera preocupação
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quarta-feira, 24 de outubro de 2001
Israel Reinstein<br> De Curitiba 
Está previsto para hoje, às 10 horas, o início do bombeamento da nafta que está no navio Norma, encalhado há uma semana na Baía de Paranaguá. O trabalho organizado pela Petrobras deve demorar pelo menos dois dias e será cercado de máxima segurança. Para evitar riscos, a Capitania dos Portos e Defesa Civil deverão restringir as atividades marítimas, aéreas e terrestres próximas do local do Norma. A proibição do tráfego deve ser mantida durante a retirada da nafta. Ontem à noite, os representantes das instituições e de órgãos ambientais, definiam se o Porto de Paranaguá ficará ou não paralisado durante o transbordo da substância química.
Pelo esquema especial, equipes especiais dos bombeiros do Paraná e São Paulo, ficarão de prontidão perto do Norma. A intenção é conter possíveis vazamentos ou provável explosão, que possam atingir as ilhas vizinhas. Em cada um dos vilarejos de pescadores foram colocados equipes médicas de emergências. Ontem foram feitas simulações para corrigir possíveis falhas.
Pelo cronograma da empresa holandesa Smitt Americas Inc. (contratada pela Petrobras), que pode sofrer alterações, as operações começarão às 8 horas, quando um rebocador especial deverá se posicionar ao lado do Norma. Depois será colocado o cargueiro Nara, que vai armazenar a nafta. O bombeamento será feito para o rebocador e, depois, para o Nara.
Para evitar o rompimento do casco durante a retirada do produto, os tanques do navio serão carregados com água à medida que a nafta for sendo retirada. Ao término dessa operação, a água será retirada por pressurização, devolvendo ao navio encalhado as condições para que possa flutuar e ser navegado.
Caso os trabalhos sejam bem sucedidos, a empresa holandesa Smitt Americas deverá levar o barco ao cais para conserto. Somente depois de resgate a Petrobras vai pagar a Smitt, que firmou contrato de risco.
Ontem, o Ibama avisou será mantido o período de proibição da pesca na região. Durante o dia foi encontrado um boto morto e uma tarturuga e vários peixes boiando nas águas.
Morte No final da tarde, o Instituto Médico-Legal (IML) de Paranaguá divulgou a causa da morte do mergulhador Nereu Gouvêia, 57 anos, que morreu há uma semana vítima da nafta - derivado do petróleo altamente inflamável. Ele foi vítima de edema pulmonar, que se formou quando verificava o buraco no casco do Navio Norma, encalhado em uma pedra da baía.
O médico-legista Marco Arthur Reinhold disse que ele teria se intoxicado com nafta, o que causou hemorragias múltiplas. O resultado do exame será encaminhado à delegacia de Paranaguá, para abertura de inquérito criminal.


