Trama diz que foi pressionado para levantamento de fundos para Izar
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Jobson Lemos, especial para a AE 
São Paulo, 07 (AE) - O ex-administrador da Lapa Gilberto Trama revelou hoje que sofreu pressão para coordenar sua equipe em um esquema para levantar fundos para a campanha de William José Izar no ano passado.
Ele disse aos vereadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos fiscais que, caso concordasse, deixaria de ser administrador interino e seria efetivado. William José Izar é irmão do vereador José Izar (PFL), que controlava politicamente a Administração Regional da Lapa.
Trama confirmou o que havia dito em seu depoimento à polícia sobre o vereador pedir que ele se empenhasse ao máximo em ajudar o proprietário do Auto Posto Phoenix Carlos Eduardo Artigas Prado a conseguir licença para funcionamento.
Durante o período de três meses em que foi administrador, Trama disse ter sido procurado duas vezes por Prado. O posto havia sido lacrado por não ter alvará de funcionamento do Corpo de Bombeiros. Na primeira visita de Prado, Trama disse tê-lo orientado a procurar os bombeiros.
Prado voltou dias depois e insistiu na liberação do posto. Ele teria insinuado, segundo o ex-administrador, se com R$ 12 mil ele não conseguiria resolver o problema da falta do documento. Trama disse ter compreendido que se tratava de uma oferta de suborno, mas que dissimulou, afirmando que ele não teria a licença sem o visto dos bombeiros. "Disse não saber quanto ele gastaria com os bombeiros."
Diante das negativas de Trama, Prado teria ligado para o vereador Izar de seu telefone celular e passado a ele o aparelho. "Esse rapaz é meu amigo e quero que você o ajude", teria dito Izar. "Estou ajudando, mas ele precisa do visto", respondeu Trama. Diante disso, o ex-administrador disse que o parlametar insistiu de forma ríspida. "Faz o melhor que você pode aí." Trama teria dito então que resolveria o caso da melhor maneira. "Conto com você", teria dito o vereador antes de bater o telefone.
Trama afirmou ainda aos vereadores de CPI que pelo menos metade das 86 transportadoras que funcionavam na Lapa estavam em situação irregular quando ele assumiu. Ele disse também que não tinha conhecimento de nenhum esquema para extorquir dinheiro de camelôs.
Ele afirmou, entretanto que fora procurado por camelôs que lhe disseram que uma ambulante chamada Ana estava loteando uma área do bairro. Ele pediu que os ambulantes levassem informações para que ele pudesse realizar um flagrante.
Trama revelou que antes de assumir o cargo de administrador a regional não dispunha de uma comissão permanente de ambulantes, que ele instituiu.
Negativa - Antes do depoimento de Trama, o administrador do Cemitério da Saudade, em São Miguel Paulista, Newton Vieira Lima
negou aos veradores da CPI que o vereador Wadih Mutran (PPB) tenha desviado verbas do serviço funerário.


