Traição é palavra proibida entre casais
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quinta-feira, 06 de julho de 2006
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Traição é uma palavra proibida entre os casais paranaenses. Uma pesquisa de mestrado demonstrou que 50% das pessoas que são casadas há mais de cinco anos entendem que a simples intenção de trair já configura o adultério. A pesquisa foi realizada em 2001 com uma amostra de 28 pessoas (entre homens e mulheres), com ensino superior completo e entre cristãos praticantes (católicos e evangélicos). A traição feminina ainda é reprovada de forma mais veemente entre os casais.
A intenção da pesquisa, que já virou livro, foi analisar as diferentes fases do adultério no Brasil. A autora Daniela Resende Archanjo buscou seus conhecimentos sobre direito, história e sociologia (ela é formada em direito na graduação superior, tem mestrado em sociologia e faz doutorado em história) para mostrar o desenvolvimento do tema no decorrer dos séculos. Para isto, ela aproveitou exatamente o Código Penal Brasileiro que definia o adultério como crime, mas que não explicava exatamente o que era o adultério. A pena para o crime de adultério era de 15 dias a 6 meses de prisão.
O adultério foi discriminalizado em 2005, com a Lei Federal 11.106 que revogou o artigo 240 do Código Penal. ''Não se sabia o que era a conduta delituosa do adultério. Os juristas é que tinham o poder de definir isto. O pensamento deles nem sempre era o mesmo do que o da sociedade. O que eu fiz foi fazer um recorte e mostrar os elementos que os casais lançam mão para definir o adultério. A conclusão é que eles são sempre mais ousados do que todas as correntes jurídicas que já existiram'', explicou a socióloga.
Eram três correntes jurídicas que mais apareciam nas questões envolvendo adultério na Justiça Brasileira: uma que definia que precisaria o coito normal para que houvesse adultério; a que dizia que um ato sexual (qualquer que fosse) era adultério; e o que dizia que que qualquer ato libidinoso era adultério.
Para a auxiliar de enfermagem Regina Teixeira, de 50 anos, apenas o ato sexual em si pode ser caracterizado como adultério. Ela é casada há 34 anos. Tem um filho e três netos. ''Isto é algo que tem que ser resolvido entre os casais. Eu não cometeria adultério. Nem gostaria que ocorresse isto comigo. Se isto acontecesse, não perdoaria. A pessoa pode ir embora de casa, não precisa trair quando um relacionamento não dá certo'', disse ela.
O restaurador Osmar Juliano, de 45 anos, considera um ''beijo'' como ato adúltero. Ele criticou o fato de o adultério ter sido por anos um crime que não tinha punição no Brasil. ''Lei no Brasil é algo que nunca funciona mesmo''. Ele garante que nos oito anos que esteve casado, jamais traiu a ex-mulher. ''Eu não perdoaria o adultério. Ninguém merece ser enganado. Se você não está feliz com a pessoa, chega, conversa e se separa. É simples. A pessoa tem que ter consciência. Eu não aceito a traição'', ponderou.
A costureira Rosana Ferreira, de 34 anos, foi ainda mais longe. Para ela, pensar em trair já é inaceitável. Ela é casada há seis anos e tem um filho de três anos. ''O adultério é uma traição terrível. Basta ficar com alguém que já está caracterizado o adultério. Se a pessoa pensa em trair, isto já é imperdoável. Eu não trairia meu marido. Acho que se tiver que trair, é melhor se separar'', avaliou ela.


