LA GUAIRA, Venezuela, 23 (AE-AP) - A intensa polarização sociopolítica, que há apenas uma semana dividia a Venezuela, não é mais sentida entre os voluntários que ajudam os desabrigados, vítimas das inundações e deslizamentos de há quase oito dias.
"Aqui não importa quem você é ou de onde vem, e, sim, ajudar", disse Armando Pérez, um mecânico de 30 anos.
"Aqui não somos nem bons nem maus, somos todos venezuelanos"
assinalou o advogado Rafael Corro, de 29 anos, que trabalha em um escritório de renome.
Os deslizamentos de terra provocados em 15 de dezembro por fortes chuvas arrasaram boa parte da costa caribenha venezuelana
a cerca de 25 km de Caracas. Agora, com o sol novamente sobre as praias, Corro y Pérez trabalham em equipes divididas em grupos de motocicletas, ajudando no resgate e levando ajuda às vítimas.
Ambos representam os setores que até o dia da tragédia estavam se enfrentando: os pobres, que apóiam Hugo Chávez, e os ricos, que fazem oposição ao presidente venezuelano.
"Com o que houve quem pode pensar em política? É natural que estejamos unidos e é essa a lição, que continuemos assim", disse Corro.
O mecânico e o advogado fazem parte de centenas de voluntários "motorizados", que entre outras tarefas levam remédios para os desabrigados em um afastado bairro da costa, deslocando-se entre escombros, carros cobertos por barro, troncos e destroços.
Na Venezuela, há cerca de um ano, podia-se notar um claro enfrentamento entre classes, principalmente desde fevereiro, quando Hugo Chávez assumiu a presidência.
O presidente, líder do malsucedido golpe militar de 1992, chegou ao poder afirmando que acabaria com o que chama de "oligarquia corrupta" e ajudaria os pobres.
No referendo de 15 de dezembro foi aprovada a nova Constituição, peça-chave da plataforma de Chávez, cuja campanha em favor do "sim" se caracterizou por discursos exaltados contra os empresários, a Igreja e seus opositores políticos.
Desde a tragédia, Chaves tem agradecido a ajuda da iniciativa privada, que inclui desde doação de terras até grande quantidade de água, alimentos, remédios, dinheiro, transporte, e trabalho voluntário.

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