Tragédia no arquipélago filipino deixa pelo menos 20 mortos
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quinta-feira, 11 de abril de 2002
Jason Gutierrez France Presse 
Manila - Vinte pessoas morreram e pelo menos 51 estão desaparecidas em consequência de um incêndio a bordo de um ferry que navegava no arquipélago filipino, na manhã de ontem, informou a guarda-costeira.
Esta tragédia se soma à longa lista de desastres marítimos, que causaram milhares de mortos nas Filipinas nos últimos 15 anos.
O Maria Carmella enviou um pedido de socorro às 7h (hora local) quando começou um incêndio a bordo enquanto navegava em frente à baía de Tayabas, obrigando os aterrorizados passageiros a jogar-se no mar sem salva-vidas.
Sentimos tristeza ao anunciar que depois das operações de resgate efetuadas, pelo menos 20 passageiros perderam a vida nesta tragédia, declarou o porta-voz da Montenegro Shipping Lines, Eugene Aguilar.
O porta-voz indicou que 219 pessoas foram resgatadas dos 247 passageiros e 47 membros da tripulação que, a bordo do ferry, se dirigiam a Lucena, cidade da província de Masbate, no centro do arquipélago.
É possível que mais pessoas do que o autorizado estivessem na embarcação, que tem uma capacidade para transportar 334 pessoas.
Mas Aguilar manteve certa esperança em relação aos 51 desaparecidos, dizendo que podem ter sido recolhidos por alguns dos barcos que ajudaram nas tarefas de resgate.
Ainda não se sabe com certeza como começou o fogo, mas os sobreviventes disseram que o incêndio teria começado no compartimento de carga, que estava cheio de pulpa de coco seca.
O fogo se espalhou em dez minutos, explicou a uma emissora de rádio de Manila o sobrevivente Juanito Caparino, acrescentando que o primeiro barco que respondeu ao pedido de socorro chegou uma hora depois da tragédia.
Vários dos passageiros que estavam a bordo eram menores que se separaram de seus pais em meio ao caos, disse Caparino.
O vice-almirante Rubén Lista, chefe da guarda-costeira, informou que já foi iniciada uma investigação para determinar exatamente as causas do incêndio.
Por sua vez, Aguilar disse que sua companhia está disposta a cooperar com as autoridades na investigação e prometeu assistência financeira aos familiares das vítimas. Este acidente foi o primeiro a afetar a companhia Montenegro em seus 36 anos de existência.
O porta-voz da Montenegro garantiu que havia suficientes salva-vidas na embarcação, mas vários passageiros, principalmente mulheres e crianças, entraram em pânico e pularam no mar desprotegidos quando viram o fogo na cobertura.
Os ferrys de passageiros são a coluna vertebral do transporte no arquipélago de mais de 7.000 ilhas.
Várias das embarcações também conhecidas como ataúdes flutuantes são velhas, às vezes superam a capacidade de passageiros e não têm suficientes salva-vidas e extintores, segundo as autoridades.


