Tragédia em uma tarde de domingo
Um domingo que parecia tranquilo terminou de forma trágica para a família de Edinete Fernandes Pessoa, 37 anos. No dia 12 de setembro de 2010, ela foi atingida por dois tiros e morreu. Para contar sua história, a reportagem ouviu relatos de vizinhos e de familiares, que pediram para não ser identificados, temendo represálias.
Edinete passou a maior parte do dia na casa de uma irmã. Por volta das 17 horas, voltou para o Jardim San Fernando, onde morava com a mãe. Naquele final de tarde, a rua onde morava estava cheia. Em um bar acontecia um concorrido bingo. Perto dali crianças brincavam e um pouco mais adiante, quase na esquina, uma roda de mulheres colocava o papo em dia. Edinete se juntou à conversa das donas de casa.
Na esquina, a multidão não notou, mas alguns rapazes discutiam. Quando o primeiro tiro ressoou todos saíram à cata de abrigo. Um jovem de 19 anos que seria o alvo dos atiradores correu em direção à roda das mulheres. Edinete tentou entrar na casa de uma amiga. Quando os tiros cessaram os vizinhos a encontraram caída atrás de um veículo Brasília.
Ela foi levada ao hospital mas não resistiu aos ferimentos. Uma outra moradora levou um tiro no braço e foi socorrida. O jovem de 19 anos morreu com cinco tiros. Edinete trabalhava como boia-fria numa plantação de café e nunca havia se envolvido com drogas. Deixou uma filha de 21 anos e um filho de nove.
Para temor dos familiares e vizinhos de Edinete, no dia 16 de dezembro nove presos fugiram da delegacia, entre eles o suspeito de assassinar Edinete e o jovem.
O delegado de Rolândia, Pedro Lucena, recebeu a reportagem na manhã do dia 23, mas evitou falar sobre a violência na cidade. Ele comentou apenas que em Rolândia 18 homicídos haviam sido registrados até aquela data. Segundo dados da PM, eram 27 assassinatos. Procurado posteriormente, o delegado não foi encontrado nem retornou as ligações. (D.B.)





