Tragédia e horror no 'trem-festa' do Egito
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2002
Das agências 
Ao menos 370 pessoas morreram em um incêndio em um trem que se dirigia a Luxor, no sul do Egito. O número de mortos ainda não é oficial, mas foi fornecido pelo Ministério da Saúde. Esse é o pior acidente no país nos últimos 150 anos.
A causa do incêndio ainda não foi divulgada. Um pequeno fogareiro a gás pode ter dado início ao incêndio os passageiros têm o costume de fazer chá e café durante as viagens.
Testemunhas disseram que o trem estava lotado de pessoas que iam para o campo para o feriado muçulmano (Eid al-Adha). As autoridades não acreditam em erro humano ou técnico, e justificam que os trens são submetidos a controles de segurança antes de cada partida.
O fogo, que começou nas primeiras horas da madrugada (horário local) de ontem, atingiu primeiro a parte traseira do veículo e se estendeu por sete vagões. O trem partiu do Cairo às 23h, e deveria chegar a Asuán (sul do país), às 11h de hoje.
Para apagar o incêndio e socorrer os sobreviventes, ao menos 20 carros de bombeiros e 30 ambulâncias foram enviadas ao local. Várias horas depois do drama, que aconteceu a uns 70 km do Cairo, as equipes de socorro retiravam um a um os corpos calcinados, muitos deles amontoados junto às portas de saída ou espremidos contra as janelas, quando tentavam desesperadamente fugir do fogo.
Em um dos vagões calcinados, no qual os socorristas ainda não haviam conseguiram entrar, viam-se inúmeros corpos amontoados, entre eles o de uma mulher grávida, em meio a uma densa fumaça, o que leva a pensar que o número de mortos pode ser ainda maior.
Em meio a um odor nauseabundo de carne calcinada, os bombeiros retiravam corpos tão queimados que era impossível dizer se eram de crianças ou partes de um corpo de adulto.
Às vésperas da festa, o trem estava repleto e inúmeros passageiros viajavam a pé, apertados uns contra os outros, explicou um bombeiro. Os que tentavam escapar pelas janelas também não conseguiram fazê-lo, pois estas estavam bloqueadas por barras de metal. É como uma jaula que se converteu numa prisão de fogo, comentou um dos socorristas.
Para fugir do horror, alguns passageiros tentaram arrancar as barras de metal para quebrar as janelas. Alguns conseguiram, mas morreram ao cair no chão, devido à velocidade do trem.
A chegada do socorro a essa zona agrícola muito povoada, assim como todo o vale do Nilo, foi dificultada pela existência de um canal que separa a via férrea da rota principal.


