Rio de Janeiro - O Rio de Janeiro foi alvo de ontem diversas ações criminosas que espalharam pânico em 22 bairros, além de Niterói, na região metropolitana, São Gonçalo e Duque de Caxias (Baixada Fluminense).
Segundo o Corpo de Bombeiros, 20 ônibus, oito carros e um caminhão foram queimados. Pelo menos 13 pessoas ficaram feridas após um ônibus ser atingido por dois coquetéis molotov (bombas incendiárias) em Botafogo, zona sul. Seis feridos estão internados com queimaduras no hospital Souza Aguiar.
Além dos ônibus incendiados, granadas e bombas caseiras explodiram nas zonas norte e sul, motoristas foram assaltados e policiais entraram em confronto com criminosos. O comércio ficou parcialmente fechado e alunos deixaram de ir às escolas.
O chefe da Polícia Civil, Álvaro Dias, disse que a ordem da onda de violência partiu de dentro de Bangu 1 (zona oeste) e o mandante seria o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, integrante da facção criminosa Comando Vermelho. Beira-Mar está preso em uma cela solitária no presídio Bangu 1, na zona oeste. Ontem, a secretaria da Administração Penitenciária suspendeu as visitas na penitenciária.
Segundo a polícia, 22 pessoas foram autuadas por associação ao tráfico de entorpecentes pois estavam ameaçando comerciantes, saqueando lojas e caminhões ou ajudando a incendiar os veículos. Outras 30 foram detidas para averiguação.
Pelo menos seis pessoas foram presas acusadas de distribuir panfletos com ordem de fechamento do comércio, com assinatura do Comando Vermelho.
Seis bombas de fabricação caseira foram apreendidas. Duas foram arremessadas por volta das 5h contra prédios de classe alta na avenida Vieira Souto, em Ipanema, zona sul. Ninguém se feriu, mas vidros de apartamentos ficaram estilhaçados. Uma granada foi encontrada em um prédio, mas não explodiu.
Uma bomba de efeito moral foi lançada contra um supermercado da Tijuca, zona norte. Outra granada foi lançada contra o Batalhão da PM em Olaria, também zona norte.
Reação - O prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), pediu a transferência de Beira-Mar. Nenhum documento chegou ao Ministério da Justiça. No entanto, de acordo com o ministério, o traficante pode ser levado para a Unidade de Recuperação Social Antônio Amaro Alves (AC), para o presídio de Presidente Bernardes (SP) ou para o Presídio da Papuda (Brasília).
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou que já colocou à disposição da governadora do Rio, Rosinha Garotinho, todo o efetivo da Polícia Federal no Estado.
Rosinha disse que soube das articulações de criminosos por volta da 0h de ontem e, por isso, colocou a polícia nas ruas. ''Se não tivéssemos agido, o Estado estaria com todas as suas portas fechadas, conforme aconteceu em outros tempos'', disse.
A Polícia Militar ocupa oito favelas em diversas regiões do Rio de Janeiro.

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