Londrina - O tráfico de drogas é o maior problema, relacionado à criminalidade, enfrentado pelas escolas do Paraná. O envolvimento de jovens no consumo e venda de drogas é a principal causa da evasão escolar, de acordo com especialistas consultados pela reportagem.
Em Londrina existem 76 escolas estaduais. São cerca de 60 mil estudantes. Seiscentos deles estudam na Escola Estadual João Rodrigues da Silva, no Conjunto Antares (Zona Leste), considerada pelas autoridades do setor como uma das mais complicadas da cidade no quesito segurança.
''Cheguei a ser ameaçada de morte. Um estudante chegou a atirar uma carteira em mim. Outros professores também foram agredidos com empurrões'', relata a diretora Mara Cristina da Silva, que está no comando da instituição há três anos.
O problema ficou mais evidente depois que quatro alunos da quinta e sexta séries foram flagrados vendendo maconha na escola. As ameaças começaram depois que a direção, com apoio do Conselho Tutelar, Núcleo Regional de Educação, Ministério Público e Patrulha Escolar, decidiu enfrentar o problema.
Para combater a prática, a comunidade escolar buscou aproximação com a família dos estudantes, capacitou os professores para identificar comportamentos suspeitos e também orientou estudantes a denunciar tráfico. ''Chamamos a comunidade para participar. O aluno que foi encontrado com drogas foi encaminhado para Caps (Centro de Atenção Psicossocial) para receber tratamento e hoje está muito melhor, seu comportamento na escola mudou completamente. Mas ainda estamos passando por esse processo de intervenção, as coisas precisam melhorar ainda mais'', revela a diretora.
Um dos estudantes, de 16 anos, abandonou os estudos após ser pego na escola com uma faca. ''Ele foi levado para o Ciaad (Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator) e disse que tinha sido ameaçado e estava com a faca para se proteger. Ele foi liberado, mas depois deixou de estudar'', diz.
As seguidas turbulências fizeram com que dois professores, um de inglês e outro de história deixassem a escola. ''A rotatividade atrapalha o ensino, até conseguir professor substituto. Mas além da saída dos professores, todo o projeto pedagógico foi comprometido (por conta da criminalidade)'', confessa.

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