Tráfico de rins afeta campanha por doação de órgãos
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sábado, 06 de dezembro de 2003
Agência Estado 
São Paulo - São 20 anos de transplantes, 30 mil pacientes e apenas uma dezena de casos suspeitos. Mas a abertura de uma CPI do tráfico de órgãos e a descoberta da quadrilha que agia em Pernambuco pode aumentar a desconfiança da população e reduzir o número de doações de órgãos. ''Os transplantes têm apoio da população, que se sensibiliza com a situação dos doentes, mas esses fatos abalam, sim, a confiança do público'', afirmou ontem José Osmar Medina Pestana, presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
E isso ocorre no momento em que o Ministério da Saúde lança uma campanha para incentivar as doações. ''Essa quadrilha bateu na porta errada ao vir para cá. Temos leis e um sistema que funciona e é por isso que eles foram pegos'', diz Medina. Ele afirma que a CPI é desnecessária, até porque a maioria das denúncias que serão levadas aos deputados são de casos ocorridos antes de 1997, quando passou a vigorar a lei brasileira para o setor.
Um dos casos que a CPI da Câmara investigará é o do menino de Poços de Caldas (MG) Paulo Veroni Pavesi, 10 anos. Um dia após a internação por causa de uma queda da varanda, os médicos diagnosticaram morte encefálica e convenceram o pai a fazer doação. Quando o pai recebeu a conta do hospital verificou que o filho levou anestesia geral para a retirada dos órgãos.
''Para que a anestesia se o meu filho estava morto?'', questionou o pai, segundo relata o deputado Neucimar Fraga (PL-ES), autor do pedido de abertura da CPI. O caso está na Justiça.


