Curitiba- O tráfico de pessoas no Brasil tem aumentado a cada ano. Dados divulgados ontem na Audiência Pública para a criação de uma Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas revelam que este crime movimenta cerca de R$ 9 bilhões por ano no Brasil. Cerca de 75 mil mulheres teriam sido levadas para outros países para serem usadas como escravas ou prostitutas.
Os países mais visados pelo crime organizado seriam Espanha, Alemanha, França, Bolívia, Israel e Suíça. Do total de pessoas traficadas, 30% seriam crianças e adolescentes que são levadas para uso de mão-de-obra barata ou para exploração sexual.
O chefe do Setor de Estrangeiros da Polícia Federal (PF) do Paraná, Vladimir de Oliveira, disse que inúmeros casos de aliciamento de crianças e adolescentes estão sendo investigados no Brasil. Existem casos de crianças que foram ''aliciadas'' por R$ 1. Em Morretes, estão sendo investigados casos de crianças e adolescentes que são levadas para os navios atracados em Paranaguá, onde são exploradas sexualmente.
''O combate a este tipo de crime tem que ser enérgico, rápido e atuante. Diariamente vemos pessoas sendo levadas para outros países para serem exploradas, violentadas e mortas. Principalmente as que vão para Europa e África'', contou o agente federal.
Elizeth Santana, da Pastoral do Imigrante, disse que as causas do tráfico crescente de mulheres são conhecidas. Vão desde a pobreza e o desemprego até os desajustes familiares e o sonho de ter uma vida melhor. ''As mulheres e as crianças estão sendo levadas para alimentar o comércio de transplante de órgãos, para trabalhar como doméstica, na agricultura ou na indústria do sexo'', disse. As propostas apresentadas por ela para serem inseridas no Plano Nacional são: realização de pesquisas para identificar as organizações criminosas; criação de comissões de monitoramento dos casos; melhoria das políticas de fronteira; criação e fortalecimento de redes nacionais e internacionais de combate ao tráfico de drogas.
A representante da União Brasileira de Mulheres (UBM), Elza Campos, disse que o tráfico de pessoas é uma das violações mais cruéis aos direitos humanos. De acordo com ela, 90% das mulheres que são traficadas são mulatas. O que, segundo Elza, remontaria a história da escravidão e da colonização do Brasil.
Todas as propostas para o Plano Nacional foram anotadas ontem pela gerente de projetos da Secretaria Nacional de Justiça, Marina Oliveira. ''Estamos querendo nos unir. Fechar uma grande rede para enfrentamento da exploração sexual e comercial no Brasil. Até mesmo para cobrarmos recursos para os próximos quatro anos'', disse ela. Para 2006, o setor conseguiu apenas alavancar R$ 100 mil do Orçamento da União.

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