Tráfico de mulheres preocupa o País
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quarta-feira, 19 de outubro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - Segundo dados da Divisão de Direitos Humanos, do Departamento de Polícia Federal, nos últimos 14 anos, foram abertos 26 inquéritos no Paraná, quase metade deles nos anos de 2003 e 2004. Esse número representa 8% dos casos registrados no País no mesmo período, quando foram contabilizados um total de 326 inquéritos. O tema foi debatido em um dos painéis da 5 Conferência Executiva de Segurança Pública para a América do Sul da Associação Internacional de Chefes de Polícia (IACP), realizada esta semana em Foz do Iguaçu.
Para o delegado da Divisão de Direitos Humanos, Clyton Eustáquio Xavier, que já chefiou a Polícia Federal em Foz do Iguaçu, entre as situações de tráfico de seres humanos no Brasil, a que mais preocupa é a de mulheres, que está disseminada por todos os estados e vem crescendo, especialmente, nos últimos cinco anos. Segundo ele, o tráfico de crianças, principalmente por meio de adoções ilegais, e o tráfico de órgãos, que já foram motivo de preocupação para as autoridades policiais, há alguns anos, são considerados, hoje, exceções.
O perfil das vítimas, segundo Xavier, é de faixa etária dos 18 aos 25 anos, que já tem, em sua maioria, histórico de prostituição, afrodescendentes, baixa escolaridade e mães solteiras. As principais motivações dessas mulheres para aceitarem esse tipo de exploração, destacou o delegado, são a desestruturação familiar, a ilusão de ganhar dinheiro fácil, falta de perspectiva de emprego no Brasil e a pobreza. Já para os aliciadores, o negócio é extremamente lucrativo. ''Para cada mulher enviada para outros países, eles chegam a lucrar US$ 30 mil'', informou Xavier.
O delegado reconhece que, além da rentabilidade, os aliciadores se motivam pela ineficiência da repressão a esse tipo de crime e à impunidade. Para ele, as dificuldades de apurar e punir os responsáveis pelo tráfico de mulheres estão na sua característica de transnacionalidade, já que a polícia brasileira depende da cooperação de organismos internacionais, na não cooperação das vítimas, na ''invisibilidade do crime'' - dificilmente há provas materiais - e, até mesmo, no preconceito do próprio agente investigador, que em muitas situações entende que a vítima optou por aquilo.
* A repórter viajou a Foz do Iguaçu a convite da organização do evento.


