Tráfico de drogas é um
dos principais desafios
A cocaína que, segundo denúncias do juiz Leopoldino Marques Amaral, corrompeu desembargadores do Tribunal de Justiça do Mato Grosso, a mais alta instância do Poder Judiciário local, é a mesma que entra quase impunemente pelas estradas ou pelo espaço aéreo do Estado. Dono da maior fronteira seca do Brasil, Mato Grosso é uma das principais portas de entrada da droga produzida na Colômbia e na Bolívia e que abastece o mercado europeu e americano, via Rio de Janeiro e São Paulo.
São 720 quilômetros de fronteira com a Bolívia e uma infinidade de pistas de pouso de aviões clandestinas e oficiais espalhadas por centenas de fazendas nos 901 milhões de hectares de território. A repressão às drogas, porém, só é feita por apenas 15 homens da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal, que contam ainda com um apoio de 600 homens da PM.
O governador Dante de Oliveira reclama que seu governo cuida sozinho do problema do narcotráfico – uma responsabilidade da União.
A falta de estrutura no combate à repressão ao tráfico reflete nas apreensões de drogas realizadas pela PF. Em 1998, foram 1.112 quilos de cocaína, 182 quilos de crack e 80 quilos de maconha. Até setembro desse ano, a PF já conseguiu apreender 937 quilos de cocaína e crack e quatro quilos de maconha. ‘‘Isso representa apenas 10% da cocaína que passa pelo Estado’’, garante o secretário de Segurança. Nos dois últimos anos, a PF conseguiu ainda estourar dois laboratórios de refino de coca e apreendeu 10 aviões.
O delegado Joaquim Mesquita, que era titular até mês passado da DRE de Cuiabá, acredita que a dificuldade maior está em controlar o espaço aéreo do Estado. Segundo ele, o tráfico consegue manter aviões com autonomia de vôos de até 11 horas, aparelhados com tanques especiais que podem ser reabastecidos no ar.

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