Os números são gigantescos. De acordo com levantamentos do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), o crime organizado movimenta em todo o mundo US$ 2 trilhões por ano, entre 2% e 5% do produto Interno bruto (PIB) mundial. Dos US$ 2 trilhões, grosso modo, metade é da corrupção, 20% são das drogas, outros 20% do tráfico de armas e o restante de atividades como tráfico de animais, seres humanos, jogo e prostituição.
Segundo Giovanni Quaglia, representante do UNOCD no Brasil, a realidade brasileira não é muito distante do cenário internacional. Assim, considerando-se que o PIB foi de R$ 1,9 trilhão no ano passado, o tráfico de armas teria movimentado entre R$ 7,6 bilhões e R$ 19 bilhões no país. A maioria dos valores circula no sistema financeiro e a corrupção é o crime que mais movimenta a lavagem de dinheiro.
Só na cidade do Rio de Janeiro, o mercado criminal de armas de fogo movimentou um valor estimado em US$ 88 milhões em 2003, segundo o estudo ''O mercado ilegal de armas de fogo'', de Patrícia S. Rivero. Para se ter uma idéia, o levantamento da pesquisadora mostra que existiam, naquele ano, 4,3 armas de fogo por cada 10 habitantes homens entre 15 e 65 anos na capital fluminense, e que mais de 17% delas foram usadas para cometer crimes.
No mesmo estudo, que registra entre outros fenômenos a crescente participação de fuzis e armas automáticas entre o total de armas ilegais apreendidas, fica clara a interligação quase obrigatória entre os comandantes do narcotráfico e os barões das armas.
O grupo que trata de drogas frequentemente está vinculado a tráfico de armas, sobretudo porque é um negócio que não envolve dinheiro, só mercadorias. ''Eu te dou 20 quilos de cocaína em troca de uma metralhadora''- isso acontece na fronteira entre a Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai, com o produto do roubo de cargas, carros e caminhões. Muitas vezes não tem dinheiro no meio- confirma Giovanni Quaglia.

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