RIO - Um ano após o assassinato do jornalista Tim Lopes, em 2 de junho de 2002, a prometida ocupação social do Complexo do Alemão ainda não saiu do papel e os traficantes continuam ditando as regras no conjunto de 13 favelas, que abriga 200 mil moradores. Uma prova disso foi o ataque a policiais militares no dia 11 de maio. Dois PMs foram mortos por criminosos.
A ocupação social, que começaria na Vila Cruzeiro, onde Tim Lopes foi capturado, levaria ao Alemão profissionais de saúde e atividades esportivas, a fim de oferecer melhores condições de vida à população. A instalação do Grupo de Policiamento em Áreas Especiais (GPAE), que conseguiu reduzir a criminalidade no Morro do Cantagalo, em Copacabana, com um modelo bem-sucedido de policiamento comunitário, foi outro compromisso não honrado.
O alto da Favela da Grota, onde as escavações para encontrar o corpo do repórter revelaram um grande cemitério clandestino usado por traficantes para enterrar suas vítimas, seria urbanizado, segundo promessas do governo. No dia 16, a reportagem, que no ano passado acompanhou diariamente as buscas pelos restos mortais do jornalista, voltou à Grota, sob proteção da PM, para evitar que os criminosos fizessem mais vítimas. Constatou que nada tinha mudado.
A área que seria transformada em praça para os moradores continua um descampado. O chamado ''microondas'', gruta usada pelo bando de Elias Maluco para queimar seus inimigos, também ainda está lá.
O secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho, disse que as medidas não cumpridas são promessas da gestão passada, de Benedita da Silva (PT). E garantiu que vai divulgar em breve uma série de projetos para o complexo.
Duas iniciativas bem-sucedidas, uma do governo do Estado e outra fruto do empenho de moradores, mostram que é possível mudar a trajetória de jovens da favela. Muitos já deixaram o tráfico e voltaram a estudar, como conta Jorge João Silva, diretor da organização não-governamental S.O.S. Complexo do Alemão. Em três anos, ele conseguiu levar 4.168 jovens à universidade, graças a um cursinho pré-vestibular.
Os garotos atendidos pela ONG vêm do projeto Vida Nova, da Secretaria de Ação Social, que oferece aulas de 5 até a 8série em 50 comunidades e dá bolsas de R$ 100 para os estudantes não terem de trabalhar. Depois, os alunos são encaminhados para escolas regulares.

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