Traficantes tentam invadir quartel do Exército no Rio
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quarta-feira, 18 de junho de 2003
Das agências 
São Paulo - Traficantes tentaram invadir na madrugada de ontem o 3º Batalhão de Infantaria do Exército, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. Os soldados revidaram, pediram reforço da Polícia Militar e só conseguiram afastar os agressores após quase quatro horas de tiroteio. A tentativa de invasão, que teria sido comandada pela quadrilha do morro do Martins (vizinho ao quartel), foi confirmada pelo Centro de Comunicação Social do Exército, em Brasília.
O ataque ocorreu três dias após o batalhão militar ter descoberto o desaparecimento de mil cartuchos de fuzil calibre 762 e cem de pistola 9 milímetros, que estavam em um paiol no próprio quartel.
O Comando Militar do Leste negou a informação de que pelo menos 700 militares estariam detidos na unidade devido ao sumiço das munições. Mas a nota do Centro de Comunicação Social do Exército informou que o desaparecimento levou o comandante da unidade, coronel Nelson Duarte Ferreira, a reter todo o efetivo no quartel entre a manhã de segunda-feira e a tarde de terça-feira. O objetivo, segundo o Exército, era disponibilizar pessoal para encontrar o material desaparecido. Mas nada foi encontrado.
A ação começou por volta da 1h20. Um grupo de traficantes tentou entrar no quartel pelos fundos, o que acionou o sinal de alerta da unidade. Foi iniciado um tiroteio, que durou quase quatro horas. A PM foi chamada. Ninguém ficou ferido ou foi preso.
O Exército e a Polícia Civil não quiseram associar o desaparecimento das munições à tentativa de invasão. Segundo o Comando Militar do Leste, foi aberto inquérito policial militar, que deve estar concluído em 40 dias, para apurar o sumiço das munições. Uma perícia também está sendo feita no local para detectar impressões digitais e apontar suspeitos. O paiol não foi arrombado.
A Polícia Federal suspeita que os traficantes roubaram as 1.100 munições e que tentaram voltar ao local para conseguir outras. Agentes ouvidos pela Agência Folha disseram que, devido à ação da polícia nas fronteiras, está havendo uma diminuição da entrada de armas e munições no Rio de Janeiro.
Com isso, os traficantes, principalmente os vinculados à facção criminosa CV (Comando Vermelho), estariam planejando invasões a unidades militares para reforçarem seus arsenais.
A suspeita de que as munições teriam ido parar nas mãos de traficantes é reforçada pelo fato de o 3º Batalhão de Infantaria estar rodeado por quatro favelas (Martins, Coruja, Feijão e Galão), todas elas dominadas pelo CV.
Prisão - Acusado de chefiar um grupo de ladrões e sequestradores na zona leste de São Paulo, Roberto Aparecido Junqueira de Souza, de 30 anos, o Barril, disse ontem à polícia ser um ''soldado'' a serviço da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele recebia ordens de Júnior, irmão de Marcos William Herbas Camacho, o Marcola, chefe do PCC, que cumpre condenação no Presídio de Presidente Bernardes. Preso no fim da semana quando se preparava para invadir um condomínio de alto padrão na zona oeste, o bandido confessou que iriam assaltar 14 apartamentos do edifício, entre eles a cobertura.


