São Paulo, 17 (AE) - Dois traficantes acusados de vender cocaína e crack para estudantes de duas escolas estaduais, uma em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, e outra na Cohab José Bonifácio, na zona leste da capital, foram presos na noite de ontem pelos investigadores do Grupo de Apoio e Proteção à Escola (Gape).
Este mês os policiais especializados em investigar traficantes que agem nas imediações das escolas prenderam 17 homens e 2 mulheres que vendiam drogas para estudantes. Com os 19 detidos, foram encontrados 126 papelotes de cocaína, 68 pedras de crack e 12 bolsas de maconha. Um dos traficantes, condenado, estava sendo procurado pela Justiça.
O outro tinha, além das drogas, uma arma automática carregada. O Denarc tem recebido todos os dias denúncias da atuação dos traficantes nas proximidades das escolas municipais, estaduais e particulares.
No começo do mês, uma senhora telefonou desesperada para o Denarc, informando que uma garota era a responsável pela venda de crack e cocaína para alunos da Escola Municipal de Primeiro Grau Leonardo Villas Boas, em Vila Carmelina, município de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, onde dois de seus filhos estudam.
A mãe, chorando, disse que um de seus filhos vinha sendo procurado pela traficante, que sempre oferecia pedras de crack ao garoto para ele experimentar. "Meu filho contou que vários meninos já estão comprando dela", informou a mãe, que preferiu não se identificar.
Os investigadores passaram a frequentar o portão da escola para constatar a veracidade da denúncia. Dois deles, jovens, passaram-se por alunos do período noturno e identificaram a mulher. Sueli Leal Lucas, de 24 anos, pensou que estivesse vendendo para um estudante e, ao entregar dois papelotes de cocaína, recebeu voz de prisão.
Com ela, além da cocaína, os policiais encontraram 30 pedras de crack. Sueli foi autuada em flagrante na sede do Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc) e não respondeu às perguntas dos investigadores. Alegou que falaria somente na presença de um juiz.
Denúncias - Uma outra denúncia recebida pelo Gape indicou tráfico de drogas nas proximidades da Escola Estadual de 1º e 2º Graus Salvador Allende Gossens, na Cohab José Bonifácio.
Depois de cinco dias de apurações, os investigadores prenderam Antônio Cezar Ribeiro de Jesus. Ele tinha um papelote de cocaína e pretendia vender a um dos policiais, acreditando que ele seria mais um estudante. Jesus, segundo os policiais, vendia drogas havia pelo menos um ano nas imediações da escola.
Desde a sua criação, em fevereiro de 1997, até 1º de abril deste ano, os policiais do Gape já prenderam 983 traficantes que agiam nas proximidades e até dentro das escolas. O maior número de prisões ocorreu na zona norte: 166. A zona leste ficou em segundo, com 144, e a região central, em terceiro
com 134 traficantes presos. As zonas sul e oeste apresentaram menor número de prisões: 72 e 97, respectivamente.
Dos 983 em flagrante, 92 eram menores. Com os traficantes, foram apreendidos 3.924 papelotes de cocaína, 2.837 pedras de crack, 1.264 bolsas de maconha. Entre os presos estavam 52 condenados pela Justiça por roubo e tráfico de drogas. A maioria tinha fugido das cadeias e dos distritos da capital mais de uma vez. Com os traficantes, foram apreendidas 52 armas.
O delegado Marco Antônio Ribeiro de Campos, diretor do Denarc, informou que as escolas continuam sendo prioridade. "Reforçamos as equipes e estamos tendo sucesso, pois os professores e diretores estão colaborando cada vez mais."

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