Traficantes ordenaram saída de Conde de morro; hoje ele voltou ao local
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de fevereiro de 2000
Por Roberta Pennafort, especial para a ae 
Rio, 08 (AE) - O prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, afirmou que teve de deixar o Morro Camarista Méier, na zona norte há duas semanas por ordem de traficantes. Conde disse ter sido avisado durante a visita que deveria ir embora, pois sua presença estava incomodando a quadrilha de traficantes que domina a favela. Segundo assessores do prefeito, os bandidos não gostaram de ver o fotógrafo da prefeitura retratando a vida na favela.Conde voltou hoje à favela.
Conde estava visitando a comunidade Ouro Preto, que faz parte do Camarista Méier, quando um mensageiro dos traficantes - descrito como alto, magro e com os cabelos tingidos de loiro - disse a seus assessores que ele não era bem-vindo no local. Ao ver um grupo de suspeitos no alto de uma pedreira, o chefe da segurança aconselhou a comitiva a encurtar a visita e o prefeito foi embora. "Não fui expulso, e sim convidado a sair", disse Conde, de volta à favela hoje.
Dessa vez, ele foi escoltado por quinze policiais do 3º Batalhão Militar (Méier). Conde vistoriou o local e discutiu com a Associação de Moradores melhorias como rede de esgoto, contenção de encostas e ações de conservação do meio ambiente. Tentando reduzir a importância do acidente, o prefeito afirmou: "Estou com 65 anos, não sou o Super-Homem nem o Shazam para desafiar quem não devo".
Durante a visita moradores disseram que todas as autoridades são sempre bem recebidas no morro. "Isso tudo foi um grande mal entendido", afirmou um rapaz, sem se identificar. "Os homens não o mandaram embora, só não queriam ser fotografados", disse.
Conde admitiu já ter vivenciado situações parecidas em outros morros da cidade - entre eles, o da Maré, na zona norte, e o do Vidigal, na zona sul -, como candidato e depois de eleito
mas que não deixará de ir a favelas. "Eu vou a todos os lugares no Rio, e, em alguns deles, passei por situações desconfortáveis", disse. "Mas não vou passar pelo constrangimento de não poder ir ao lugar onde devo ir, nem me calar diante desses fatos".


