Traficantes mudam estratégia em SP e agem no interior
Para escapar da perseguição da polícia na capital, os traficantes de drogas estão utilizando cada vez mais o interior do Estado de São Paulo para a entrega de maconha, crack e cocaína.
Os aviões que transportam a droga estão pousando em campos clandestinos ou em fazendas deixando quilos e quilos de cocaína e maconha.
A polícia, na maioria das cidades do interior de São Paulo, não está preparada para combater as quadrilhas de traficantes, o que tem provocado a convocação de equipes de policiais do Departamento de Investigações Sobre Entorpecentes (Denarc) para auxiliar.
Este ano o Denarc já esteve em dez cidades. A última foi São José do Rio Preto, no final de semana passado, quando 30 traficantes foram autuados. Nos três primeiros meses deste ano foram registrados, no Estado, 6.048 casos de tráfico e uso de entorpecente.
Anteontem, os policiais civis de Serra Negra efetuaram a maior apreensão de crack este ano no Estado: 33 quilos. A droga foi encontrada num condomínio de luxo. Na casa alugada pelos traficantes há 15 dias, os policiais encontraram 8 quilos de cocaína.
Além das drogas, os policiais apreenderam armas, munição, telefones celulares, rádios de comunicação na frequência da polícia e balança para pesar maconha, crack e cocaína.
Os homens que alugaram a casa não foram presos. O único detido é o corretor que alugou a casa. Ele deverá indicar as pessoas que estavam morando e que pagavam R$ 100,00 por dia.
A polícia informou ter sido chamada pelos responsáveis do condomínio. Eles disseram que suspeitavam dos moradores por causa da movimentação na casa.
Para o delegado Oswaldo Faria Júnior, de Serra Negra, os donos da droga pretendiam vender parte do crack no circuito das águas e nas cidades vizinhas. Trata-se de uma quadrilha bem organizada, afirmou.
Interior O Denarc tem realizado muitas prisões no interior do Estado. Os prefeitos têm encaminhado todas as semanas à diretoria do Departamento os pedidos para a ida dos delegados e investigadores.
O Guarujá foi a primeira cidade visitada pelos policiais do Denarc. O sucesso do trabalho com as prisões dos traficantes e apreensões de drogas motivou o Departamento a continuar pelo litoral e interior.
Foram efetuadas prisões em Praia Grande, São Vicente, Santos, Sorocaba, Leme, São José dos Campos, Campinas, Piracicaba e São José do Rio Preto. Estão programadas outras dez visitas ao interior ainda este ano.
No mês passado, o Denarc prendeu em Marília o piloto de aviões Edmundo Rocha dos Santos com 28 quilos de cocaína. Ele é acusado de fazer parte de uma quadrilha de traficantes ligada aos cartéis bolivianos.
O grupo manda mais de 100 quilos de cocaína por mês para o interior de São Paulo. O piloto seria um dos responsáveis pelo transporte da droga nos aviões da quadrilha.
Santos, segundo o delegado Robert Carrel, responsável pela prisão, está envolvido no assassinato do engenheiro têxtil Murilo Mendes Benincasa e do empresário Luís Augusto Spila ocorrido em setembro de 1996 quando faziam cooper em Marília.
O piloto teria contratado os autores do assassinato, Antônio Miguel Ferreira e Pedro Casaraim Neves, a mando do traficante Jalom Ivo de Barros, que está condenado em São Paulo. Barros mora em Manaus onde explora o comércio de barcas.Arquivo FolhaRigorApenas em São José do Rio Preto, o Denarc autuou 30 traficantes durante batida na semana passada
Agência Estado





