Traficantes matam 35 cães em favela do Rio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de setembro de 2001
Agência Estado 
Traficantes da favela Parque Royal, na Ilha do Governador, na zona norte do Rio determinaram que os moradores da área se livrassem de todos os cachorros ou os animais seriam mortos. O motivo: durante incursões policiais, os cães avançavam sobre os criminosos que tentavam usar os barracos para se esconder, e alertavam a PM de que havia gente estranha na casa. Em dois dias, 35 cães foram mortos. Ontem a Polícia Militar ocupou a favela para garantir a vida dos animais.
De acordo com o tenente José Clayton Bispo da Silva, que comandou os 20 homens que vasculharam a favela, os cachorros morreram envenenados com remédio para ratos. Um dos animais foi morto a pauladas pelos traficantes. ''Não sei em que circunstâncias ocorreu essa morte, mas ele deve ter latido em hora errada'', disse o tenente. Segundo Clayton, a Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) recolheu os animais mortos das ruas.
A secretária municipal de Defesa dos Animais, Maria Lúcia Frota, que recebeu as denúncias, contou que o cão foi morto a pauladas porque a dona recusou-se a entregar o animal. ''A situação foi tão chocante, que ela desmaiou'', disse. Maria Lúcia classificou como ''trágica'' a situação dos moradores de Parque Royal. ''A pessoa é violentada em todos os direitos básicos de cidadania e até no seu direito de amar um animal. É um precedente muito perigoso.''
Ontem alguns cães passeavam pelas ruas da favela. O vira-latas Botafogo dormia tranquilamente na sede da associação de moradores. ''Os sobreviventes da chacina não são de bem, são coniventes com o tráfico'', brincou um sargento. Logo depois reassumiu o tom sério. ''Não estamos aqui para brincar de salva-vidas de cachorrinho. Estamos aqui para garantir o direito de as pessoas terem uma vida normal, independente de morarem na favela, independente de ter traficante na esquina para avisar que a polícia está chegando'', disse.


