Traficantes estão capturando araras em extinção, denuncia ong
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Sandra Sato 
Brasília, 17 (AE) - Enquanto as atenções se voltam para o sul da Bahia, onde serão feitas as comemorações dos 500 anos de descobrimento, traficantes preparam arapucas para caçar araras azuis de Lear, uma espécie em extinção, na região Raso da Catarina (BA), durante o feriado da Semana Santa. A denúncia foi feita hoje à Procuradoria-Geral da República pelo coordenador da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), Dener Giovanini.
De acordo com Giovanini, cada exemplar desse tipo de arara pode valer no exterior até US$ 60 mil (R$ 108 mil) e um ovo, US$ 10 mil (R$ 18 mil). Ele informa que existem no mundo inteiro cerca de 150 araras de Lear. Giovanini tenta obrigar, via liminar, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério do Meio Ambiente a tomarem medidas preventivas. Ele ameaça responsabilizar criminalmente esses órgãos por omissão.
O coordenador da Renctas informou ao subprocurador Antônio Fernado Silva e Souza que os traficantes estão aproveitando a falta de fiscalização na região, distante dos festejos, na fronteira com Pernambuco, para capturar as aves. Ele recebeu relatório do cordenador do Comitê para a Recuperação e Manejo da Arara Azul, Luiz Francisco Sanfilippo, revelando que foram encontradas nos paredões rochosos da região armadilhas e cordas para alcançar os ninhos.
Para intimidar os pesquisadores do comitê, denuncia Giovanini, os caçadores teriam perfurado a bala vários equipamentos do grupo. "O clima é de insegurança na região", comentou, afirmando ainda que essas pessoas são perigosas, andam armadas e não distinguem um pesquisador de um fiscal. O subprocurador prometeu fazer uma recomendação direta ao Ibama e ao ministério e observou que o Ministério Público na Bahia, a quem cabe ações executivas, pode até acionar a Polícia Federal para ajudar na fiscalização.
Ibama- O coordenador da Renctas disse ter decidido procurar o Ministério Público porque há duas semanas esteve no Ibama levando a denúncia e até agora não soube de qualquer providência. Um dos coordenadores do departamento de fiscalização do Ibama, Ricardo Brant, informou que desde a semana passada está montada uma equipe para seguir para a região
mas depende de liberação de recursos. Segundo ele, todos órgãos públicos foram obrigados a paralisar suas atividades porque o orçamento demorou a ser aprovado pelo Congresso. A votação ocorreu na última quinta-feira. Se o dinheiro sair, Brant garante que os fiscais do Ibama chegarão a tempo de impedir a caçada.
A presidente do Ibama, Marília Marreco, disse que pretende mandar a equipe para a região, ainda nesta semana. Os fiscais, diz Marília, irão primeiro verificar se é verdadeira a denúncia de que traficantes estariam acampados na região. Ela garantiu que não chegou à diretoria do Ibama qualquer denúncia do Renctas e prometeu instaurar inquérito para apurar se alguma instância inferior recebeu documento da ong.
Marília contou que, em novembro o Ibama fez uma operação na região para evitar que os traficantes pegassem os filhotes das araras. O Ibama também desenvolve atividades de inteligência
diz Marília. Segundo ela, é importante identificar todos os atores da rede, que vai do fornecedor ao receptador.


