Rio, 06 (AE) - Um sofisticado sistema de observação, com circuito interno de TV - com microcâmeras de alcance superior a 500 metros - , usado por quadrilhas de traficantes para acompanhar grupos rivais e polícia foi descoberto nesta madrugada , no Complexo do Alemão, em Ramos, na zona norte do Rio. Na operação, feita por policiais do 16ª Batalhão da Polícia Militar (Olaria), houve troca de tiros com os criminosos mas ninguém foi ferido.
O equipamento estava colocado num posto em frente a entrada da casa do traficante Levy Batista da Silva, o Baby, apontado pela polícia como chefe do tráfico de drogas na favela. Na blitz os policiais prenderam apenas um suposto traficante identificado como Robert Antunes Martins.
Martins estava escondido um barraco da favela com duas pistolas 9 milímetros. Ele foi levado para a 22ª Delegacia Policial (Penha). A polícia apreendeu também um revólver calibre 38, cápsulas intactas e uma carta de traficantes presos na 31ª Delegacia Policial (Ricardo de Alburquerque) para criminosos do Morro do Alemão.
A operação começou por volta das 17h de quarta-feira. Um grupo de 15 policiais do 16ª Batalhão da PM (Olaria) tentou invadir a fortaleza após receber a denúncia de que Baby estaria em casa. Os PMs foram filmados pela câmera de vídeo, o que facilitou a fuga de Baby. Comparsas do criminoso, armados de fuzis e metralhadoras, iniciaram um intenso tiroteio com os policiais, que ficaram encurralados a poucos metros da casa do traficante, sem munição e sob fogo cruzado. Os policiais pediram reforço e mais de 50 homens de cinco batalhões da PM invadiram a favela e ocuparam os cinco pontos de entrada do Complexo do Alemão, com onze favelas.
Depois de cinco horas de troca de tiros, os comparsas de Baby abandonaram a fortaleza e fugiram. Os policiais então conseguiram entrar na casa de alvenaria de três andares, um dos quais em construção. De acordo com a polícia, o local era usado pelo traficantes para fazer planos de invasão de favelas e para esconder drogas e armas.
"Foram momentos de medo", disse a doméstica Maria de Lourdes da Silva, de 55 anos. "Isso aqui parecia um campo de guerra", afirmou. O intenso tiroteio deixou marcas em portas, janelas e em casas de moradores da favela.
"Não sabia que era vizinha do Baby, pois nunca vi movimentação de armas aqui", disse a doméstica Leonea Bóia do Nascimento, de 65 anos, vizinha à casa do traficante. "Eles não ficavam na casa", afirmou.
De acordo com o comandante do 16ª Batalhão da PM (Olaria), coronel Jorge Duarte, pode haver outras câmeras escondidas na favela. "Eles devem ter outro sistema de tevê para monitorar a polícia e rivais", explicou o comandante.
O coronel afirmou que Baby tem sob o seu comando um grupo de 150 criminosos e seria um dos ex-comparsas do antigo líder do tráfico de drogas do Complexo do Alemão, o traficante Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, que está no presídio de segurança máxima Bangu II, na zona oeste da cidade, desde 1997.

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