Policiais cercaram o complexo de Bangu 1, palco da rebelião
Rio de Janeiro - Traficantes da facção criminosa CV (Comando Vermelho) presos em Bangu 1 (zona oeste) tomaram ontem o controle do presídio, mataram pelo menos cinco traficantes e fizeram oito reféns, numa rebelião que começou às 8h e continuava às 20 horas, no fechamento desta edição. Os líderes da rebelião seriam Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, Márcio Macedo, o Gigante, e Marco Antônio da Silva, o My Thor.
Três dos mortos eram líderes das facções rivais do CV, a ADA (Amigo dos Amigos) e o TC (Terceiro Comando): Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, apontado como um dos mais poderosos traficantes do Rio, Wanderley Soares, o Orelha, e Carlos Roberto Cabral da Silva, o Robertinho do Adeus, ambos cunhados de Uê .
Também morreram Marcelo Lucas da Silva, o Café, e Eupídeo Robô, os dois integrantes do CV e traficantes do morro do Andaraí (zona norte).
A sexta vítima seria Celso Luiz Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, líder da ADA e também um dos mais poderosos traficantes do Rio. A polícia não confirmava sua morte até as 19 horas.
Bangu 1 é apontado como o presídio de segurança máxima do Rio e abriga os presos mais perigosos do Estado. No entanto, vários episódios vêm questionando a segurança do local. Em junho, Beira-Mar e seu grupo chegaram a encomendar um míssil, usando uma central telefônica clandestina instalada dentro do presídio.
Segundo informações do Desipe (Departamento do Sistema Penitenciário) passadas pela Secretaria de Segurança, a rebelião começou às 8h, durante a verificação matinal dos presos da galeria A, uma das duas destinadas ao CV.
Os presos renderam dois agentes e foram a uma sala onde são guardadas armas utilizadas em emergências. Tomaram duas pistolas, dois revólveres e uma escopeta, além das chaves das galerias. Eles também teriam conseguido granadas.
Os reféns foram amarrados nas grades das celas e colocados perto de botijões de gás. Os líderes do CV foram para a galeria D, onde ficam os presos da ADA e do TC, e começaram as mortes. No total, foram feitos oito reféns: quatro agentes penitenciários e quatro operários de uma obra no presídio.
Em seguida às mortes, os presos da galeria A assumiram o controle do presídio.
Os rebelados apresentaram duas reivindicações: que não houvesse ''esculacho'' (violência) contra eles após o fim do movimento e que os líderes não fossem transferidos para outros Estados. O governo anunciou que não atenderia às reivindicações.
Mais de 300 policiais cercaram o complexo penitenciário e o presídio de Bangu 1. Desde o início da tarde, o Bope (Batalhão de Operações Especiais) vinha dando o prazo de uma hora para que a rebelião terminasse, ou o presídio seria invadido, o que não aconteceu até as 20 horas.
O medo de reações dos traficantes soltos ligados aos chefes mortos tomou conta da cidade do Rio. Em pelo menos nove bairros, o comércio fechou, e escolas deixaram de funcionar. A PM (Polícia Militar), com 2.000 homens, cercou entradas de morros, temendo quebra-quebra.

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